terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Querida F.


Antes de mais nada, quero parabenizá-la por tua perseverança. Mas como mulher, reconheço a necessidade de precavê-la, embora veja que novamente estás acometida desta doença que te cega e leva com ela a tua capacidade de discernimento.
Não posso deixar de admitir, colega, que esperava mais de ti. Uma moça jovem, com estudo, bem nascida e de boa família, se contentar com tão pouco...
Sinto muito te desapontar, mas parece que não aprendeste a lição. Acorde F.! Tu não estás em um conto de fada! Este cara não é um príncipe, apesar de todas as evidências te parecerem o contrário. Acho que já tens provas suficientes de que a magia não funcionou, beijaste um monstro. As pessoas dificilmente mudam. E ele, lamento te dizer, nunca se transformará no príncipe que projetaste.
Tu, mais do que ninguém, sabes que ele mente e não te leva a sério. Como alguém pode ser tão descaradamente enganada e acreditar nas mentiras que lhe contam?
Quantas vezes ele te usou, te maltratou, te humilhou perante aos outros e te iludiu, apenas para conseguir as coisas que ele queria? Houve um tempo, F., que eu te achava esperta. Não poderia crer que irias entregar teu ouro assim tão facilmente. Mais uma vez, te deixaste enganar.
Já que não acreditas no que vivenciaste, preciso alertá-la. Fuja, fuja enquanto há tempo. Ele não merece tua juventude, tua beleza. Ele sempre faz isso, não é? Quanto mais tu tens para oferecer, mais ele quer e menos tem ele para te oferecer. E o que te dá, minha cara, é falso, assim como ele, que além de tudo, faz questão de cobrar cada migalha. Será que ainda te restam energias para ele te sugar?
Aquela não é a família real, é sim uma família descompensada. O castelo deles não é próprio, puramente artificial. Nele habitam ratos, que entre eles mesmos se exploram, não respeitando idade, nem hierarquia. O que eles pretendem é roubar o teu castelo, a tua carruagem e tua riqueza. Não te deixes transformar em gata borralheira! Pegue teu sapatinho de cristal e o deixe falando sozinho, pois haverá muitos pézinhos de outras pretendentes para este falso príncipe experimentá-los. Coitadas, não sabem com quem estão lidando, mas tu sabes muito bem com que estás tratando.
Caso não tenhas percebido ainda F., contos de fadas não existem, mas o bicho papão está habitando tua residência e dormindo ao teu lado. Dissimuladamente ele te alimenta e tu pensas que é tudo lindo.
Cuidado para não morrer com a maçã envenenada.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Bundas

Jogo rápido...
Uma cor: branco
Uma bebida: coca-cola
Um cheiro: doce
Um sabor: de quero mais
Uma sensação: de paixão
Um amor: a família
Um animal: gato
Um homem atraente: Sean Pean
Um ator: Robin Williams
Um livro: O Pequeno Príncipe
Uma paixão: leitura
Um lugar: Praia do Rosa – SC
Um prazer: os amigos
Uma comida: massas
Uma perdição: livros
Uma flor: rosa
Uma personalidade: meu pai
Uma palavra: são tantas
Uma parte do corpo: pescoço

Mas e o que é isso? E me diga quem quer saber? São gostos... E gostos são gostos, não se discute.
Gostos são assim, que nem bundas, cada um tem a sua. E bundas existem várias. As mais durinhas, as mais caídas, aquelas mais flácidas, enfim o que é uma bunda?
A bunda é uma continuação da perna, o que seríamos sem nossas bundas?
E os gostos... O que são eles? São as nossas particularidades, tem a ver com a personalidade de cada um... Ah, mas não vamos começar essa discussão!
Cada um com seus gostos e cada um com a sua bunda.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Meu anjo

Meu anjo está tão longe de mim. Sinto sua falta.
Ele não me conhece, mas eu sei que ele realmente existe.
Este sonho parecia tão real. Não consigo tirá-lo de minhas lembranças. Sua doce presença resolveu fazer morada nos meus pensamentos.
Sua voz agradável, sua pele macia e seus beijos intermináveis não me deixam esquecê-lo.
Tornei-me escrava do meu pensamento. Fico desejando nosso encontro em cada vez que durmo, para sonhar mais uma vez contigo.
Peço tanto a Deus, em minhas orações antes de dormir, para que tu te tornes verdade. Que eu possa te tocar, te abraçar, te beijar como em meus sonhos.
Meu anjo me faz tão bem. É como se o conhecesse a vida inteira. Tudo lá fora passa tão despercebido por mim. Meus olhos só a ele pertencem.
Meu anjo, por favor, faça-te real. Apareça, espero por ti. Esta dor que sinto se chama saudade e atende pelo teu nome.
Quero estar contigo, dançar contigo e te dizer palavras que nunca contarei a ninguém. Faça-me acreditar que será como da primeira vez. Espero teu sim ou não. Minha felicidade não compete a ti, mas quero que faças parte dela.

Anjo, criatura sobreceleste, acho que me apaixonei.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Carta a um ex-amor

Alguém pode me explicar como podemos gostar tanto de alguém e esta pessoa fazer parte de nossa vida, dos nossos pensamentos, sonhos e planos e de repente, toda esta fantasia, como num passe de mágica se acaba?
Como é possível eu ter gostado tanto de ti e hoje não te desejar nem o bem. Não te desejo teu mal, mas também nem te quero bem. Tu conseguiste acabar com qualquer sentimento bom que eu poderia ter em relação a ti. É como se tudo de bom que tivemos juntos um dia fosse anulado pelas tuas atitudes agressivas e negativas.
Sim, é claro que não posso falar que não tentamos. Nós tentamos sim, mas foi um grande erro de nossa parte termos insistido em algo que não havia nenhuma chance de dar certo. Tu tentaste, erraste, mas não posso culpá-lo somente. Nas tuas tentativas insensatas, não soubeste cuidar daquilo que havias plantado. Não cuidaste, deixaste exposto às larvas, aos baobás e a outros animais por aí soltos. Deixaste morrer. Acabaste com aquilo que era belo, destruíste, pois não sabes fazer de outro jeito.
Tua maneira de amar é muito diferente da minha. Para te sentires bem, tu me afastaste, fizeste eu ter medo de tuas atitudes enlouquecidas e ainda pôs a culpa em mim. Não soubeste dividir, somar, multiplicar, mas sim diminuir. Diminuíste aos poucos o sentimento que por ti nutri. E eu errei feio por ter continuado firme ao lado de quem não havia nada para me oferecer.
Nunca te colocaste no meu lugar? Como era assustador estar ao lado de alguém tão instável. Mas não posso te dizer que fui o tempo inteiro infeliz. Os momentos bons sim existiram, pois eu não teria assim persistido. Dias maravilhosos intercalados por vazios.
Era tão difícil para mim lidar com tuas alterações de humor... é tão ruim viver na dúvida, na espera, na incerteza.
Mas as coisas são assim mesmo. Disseram que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Não quero que esta premissa seja verdadeira. Cativar é conhecer, é ter paciência, é olhar muitas vezes sem dizer nada, pois afinal de contas, a linguagem às vezes pode ser uma fonte de mal-entendidos. Isto infelizmente, não soubeste fazer. Se cada dia tivesses chegado na mesma hora, eu me sentiria feliz e descobriria o preço da felicidade. Mas como vinhas a qualquer momento, eu nunca sabia a hora de preparar meu coração. E eu chorei, achei que não saí lucrando nada. Não me deixaste como lembrança os campos de trigo, mas sim dor, raiva, mágoa e a vontade de nunca mais te ver novamente. Descobri que presença me faz mal.

Eis o meu segredo: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Foi o
tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. (Antoine de Saint- Exupéry, em O Pequeno Príncipe)

Tudo é aprendizagem na vida, pois o que não nos mata nos fortalece. E aprendi não esquecer esta verdade. Isso levarei para todos os relacionamentos que eu tiver.

Com toda a ojeriza e desprezo que adquiri por ti, apenas te peço que não me culpes, sejas homem, cresças e comeces a assumir a tua responsabilidade.

Se quiseres saber como eu estou, vou muito bem, obrigada. E feliz por ter mais uma história para contar, afinal para quem eu teria escrito esta carta?

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Hoje acordei meio Amy Winehouse


Ela acordou de manhã cedo, mal tinha levantado e já acendeu um cigarro.
- Puta que pariu! Eu odeio acordar cedo! – berrou a moça em alto e bom tom.
O gato subiu em cima da cama e tentou socializar, ela apenas jogou o pobre bichano longe.
- Sai daqui porra!
Saiu tropeçando na bagunça de seu apartamento mobiliado por caixas e mais caixas vazias de pizza, latinhas de cerveja Bohemia e umas tantas outras garrafas de whisky, vinho, até mesmo garrafas de refrigerante pela metade, morno e sem gás.
Na cozinha, louças acumuladas na pia. Ela encontrou um dose de whisky na geladeira. Tomou a metade e o resto fez um gargarejo.
Pegou seu carro. Cantando pneus e fazendo zigue-zague pela ruas, foi em direção ao trabalho.
Não rendeu nada, parecia mesmo que hoje não era seu dia, uma besteira atrás da outra, e lá vinha um cigarro e um grito:
- Porra!!!
Foi dar uma volta para espairecer e um dos funcionários da empresa veio lhe pedir que escrevesse uma nota dedicada ao Natal. Ela nem se intimidou:
- Foda-se o Natal! – escreveu em letras garrafais.
Tentou voltar ao trabalho e nada continuava a dar certo, não conseguia produzir. Fumava um cigarro atrás do outro na tentativa de aliviar a tensão.
Para piorar a situação vinha um e outro lhe pedir uma coisa e outra, e ela não aguentava mais tanta pressão. Era muita coisa para sua cabeça sequelada.
A coisa mais sensata que ela julgou foi pegar sua bolsa, acender mais cigarro e ir embora. Talvez fosse para um boteco beber.
No banheiro ela escutou colegas comentando suas atitudes e admiradas se perguntavam o que teria acontecido com a colega. A moça, que já estava de saída, voltou ao banheiro, deu um chute na porta e sapateando, gritou, a ponto de trazer o resto dos funcionários curiosos e assustados ao recinto. Ninguém estava entendendo absolutamente nada. O que estava acontecendo, afinal?
Até que ela respirou fundo, soltou mais uma baforada de seu cigarro e disse, como se nada tivesse acontecido:
- Não aconteceu nada. Hoje acordei meio Amy Winehouse.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O bom velhinho

Sapatinho de Natal
Deixei Meu Sapatinho, Na Janela Do Quintal. Papai Noel Deixou, Meu Presente De Natal. Como É Que Papai Noel, Não Se Esquece de Ninguém.Seja Rico Ou Seja Pobre, O Velhinho Sempre Vem. Seja Rico Ou Seja Pobre, O Velhinho Sempre Vem.


Desculpem-me mas ainda não consegui entrar no espírito natalino. Além de tudo estas musiquinhas de natal são deprimentes... Divagando sobre o assunto cheguei a esta conclusão. Natal é uma data hipócrita. Quer dizer que às vezes passamos o ano inteiro distante, mas agora só porque é Natal resolvemos ficar todos juntos, mesmo que não vamos lá muito com a cara do sujeito, confraternizamos.
O Natal é uma das datas comemorativas mais comerciais. É quando as vendas sobem e os bolsos dos lojistas engordam. As pessoas se tornam mais consumistas e o apelo para comprar é inevitável.
Datas festivas como o Natal também engordam. Quem é que, tendo dinheiro para colocar um monte de comida na mesa para a ceia do Natal vai pensar em dieta? Vai sim é comer até se fartar e no outro dia é que vai se preocupar com os quilinhos extras e as calorias excessivas, adquiridas na ceia natalina.
Vocês já perceberam os comerciais televisivos? As propagandas de perus, panetones e afins mostram sempre famílias unidas, felizes e comemorando com suas ceias fartas. Totalmente deprimente para aqueles que não tem família, ou que não tem grana nem para colocar um frango nas suas mesas.
Coitados. Se deixarem seus sapatinhos na janela do quintal correm o risco de os terem roubados. Esperaram o ano todo, mas Papai Noel não deixou seus presentes de Natal. Puxa, será que são muito ingênuos ou ainda não se deram conta que Papai Noel não existe para eles, mas sim para aqueles que possuem um pouco mais de dinheiro. Papai Noel não esquece de ninguém o escambau! Só os ricos e não para os pobres, o velhinho sempre vem...
Desde de pequenos escutamos nossos pais dizer para nos comportarmos, se não o Papai Noel não vem.

É. Ano que vem vou me esforçar ao máximo, ser uma boa menina e me comportar. Prometo trabalhar o dobro e aumentar minha conta bancária para o bom velhinho não esquecer de mim.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Futilidades

Meu deus, como tem gente sem noção neste mundo!

Recentemente estava lendo as notícias relacionadas à vinda da diva do pop ao Brasil para os shows de sua turnê Sticky and Sweet e fiquei admirada com todo o alvoroço dedicado a ela. Está certo, Madonna é uma musa, já é um mito, adorada por legiões de fãs de todas as gerações, vamos acompanhando sua carreira desde seus primórdios. E não há como negar, esta mulher de 50 anos está cada vez mais bonita. Seu físico, suas músicas, e seu desempenho no palco são de arrepiar! Olha, queria eu chegar a sua idade, com aquele corpão e toda sua disposição. Vou ter que tirar ânimo nem sei de onde e começar a malhar... Mas afinal de contas, eu ainda tenho 30 anos! Nem tudo está perdido.
Outra coisa que deixou-me quase a ponto de começar uma greve de fome foi ler a reportagem na Veja sobre a responsável pelo corpo escultural de Madonna. Sua personal trainner é uma mulher de 33 anos, também de corpo invejável. Ela treina além da musa do pop, outras celebridades como Gwyneth Paltrow. Suas orientações para conseguir um corpitcho daqueles? Uma série extenuante de exercícios físicos, principalmente musculação, e outros combinados com dança. E uma dieta de fome. Gente, como? Comer nos mantém vivos, de que adianta ter um corpo lindo e sem saúde. Há malucos pra tudo...
Mas pra finalizar, deixo vocês com a melhor. Madonna, entre sua lista de exigências, só queria manicures loiras e que falassem inglês. Pra quê? E como este pedido seu só foi parcialmente atendido – foram providenciadas manicures que falavam inglês, mas uma morena e uma ruiva. E ainda assim antes de se submeter às manicures, Madonna usou uma moça de sua equipe como cobaia, para testar os serviços das meninas responsáveis pelo embelezamento das unhas da diva.
Ah galera, dá um tempo ? Mas em que mundo nós vivemos? Quanta futilidade! Será que os astros do pop como Madonna, que por mais fama e dinheiro que possuam, esquecem que ao morrer, vão se decompor e feder igual a todo mundo?

Isso me fez lembrar que eu tenho coisas muito mais importantes pra pensar.

Give me a break!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mac Donalds

Estava um grupo de jovens sentados no Mac Donalds. Provavelmente haviam voltado de uma "balada". Todos estavam muitos risonhos e eufóricos, contrastando com os demais clientes, que às cinco e meia da manhã mal tinham ânimo de mastigar seus hamburguers, tamanho cansaço.
Os meninos e as meninas riam da vida alheia, contavam suas proezas realizadas na noite com aquele entusiasmo típico dos mais jovens. Gargalhavam a todo volume, faziam graça das roupas das gurias que entravam, debochavam daqueles não muito dotados de beleza e paqueravam aqueles que eles consideravam ter belos atributos. O Mac Donalds era mais uma extensão da festa onde eles tinham estado.
Mas aí, para graça geral daquela galera, passa um sujeito alto e forte, aparentando ter descendência alemã, trajando uma camisa social azul-marinho, completamente lavada de suor. Parecia até que haviam derrubado um copo de refrigerante em sua camisa, tal era seu estado.
- Todo suadinho... vai trocar esta camisa! - gracejou um dos componentes do grupo, enquanto as gurias riam e os guris as acompanhavam.
O alemão não deixou por menos e deu uma resposta à altura:
- Se eu estou suado, o que tu tens que ver? Vá cuidar da tua vida!
Bom, ele poderia ter parado por aí. Se que bem que se o alemão tivesse ignorado tal brincadeira, teria saído de lá com classe. E teria evitado de literalmente, ficado no chão.
Mas não. A discussão não parou por aí. Nem o grupinho parou de zombar, nem o "suado" evadiu. Enquanto os amigos deixavam o Mac Donalds, o ofendido rapaz aguardava ao lado de um fiel escudeiro, cujo o tamanho equivalia a metade do sudorífero grandalhão. Magrinho, extremamente o oposto de seu amigo fisicamente, este segurava uma casquinha de sorvete.
- Vai cuidar da tua vida ô vagabunda! - blasfemou o homenzarrão.
Um dos rapazes do grupo voltou para responder, enquanto inutilmente era contido pela menina que o acompanhava.
- Vagabunda é a tua mãe!
Coitada da mãe. Nem estava ali para se defender.
A cena que se segue é digna de um filme de tipo "humor pastelão".
- O que é que tu disse? Repete, vem, vem brigar se tu é homem! - dizia o transpirado, sem sequer sair do lugar.
Então o outro rapaz, acompanhado pela moça foi, subiu numa mesa, mas restringido por ela, resolveu voltar atrás.
O magrinho também se meteu na briga e a moça, que não se deu por vencida, o desafiou:
- O quê? Vais me bater com este sorvete?
Quem mandou meter a colher, ou melhor, o sorvete.
O segurança, um gordinho barrigudo de chope, segurou os mais alterados pelo pescoço e ordenou que todos se acalmassem. O alemão e magrinho, continuaram a investir, mas desta vez contra o segurança, que ali estava só para apartar a briga.
- Acalmou pessoal! -encarou o gordinho, mas ao ver que continuava sendo desafiado pelos dois transtornados esbravejou: "Acalmou sim!". E derrubou os dois de uma só vez.
Pronto. Acabou a briga. Mesmo assim os ânimos não se acalmaram. Enquanto o grandalhão se explicava para o segurança, o magrinho não satisfeito de ter parado no chão, tentava em vão, puxar briga.
Belo jeito de terminar uma night... Sinceramente, que vergonha, hein! Cenas ridículas de tão cômicas.

Lição: Toda a ação tem uma reação.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ontem eu chorei

Ser professor no Brasil não é uma atividade que se diga fácil. A falta de prestígio, salários baixos, o descaso com a educação, a violência, o "bullying" e o estresse cotidiano, enfim, é uma gama de aspectos que tornam esta profissão extremamente desmotivante.
É mais comum do que se pensa estes profissionais desenvolverem problemas psicológicos relacionados ao estresse, porque convenhamos, qual é o profissional que além de cumprir sua carga horária no local de trabalho, ainda assim leva trabalho para casa?
A Síndrome de Burnout é um termo que representa o estado de esgotamento prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho. O termo burnout (que significa, em inglês "combustão completa") produz principalmente a sensação de exaustão e ausência de personalização no trabalho na pessoa acometida.
Pouco divulgado, mas corriqueiros entre nossos profissionais da educação, burnout é comumente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho e os acometidos desta síndrome tem prazos muito pequenos para recuperação.
O professor tem uma tarefas múltiplas. Como educador, ele tem que acima de tudo ensinar, dar limites e disciplina, dar conta dos conteúdos a serem desenvolvidos e como se não bastasse, muitas vezes tem de desempenhar a tarefa dos dos pais, que em grande parte, depositam nele, a função de representá-los enquanto estão ocupados em seus afazeres.
Sinceramente, é uma carga muito pesada para tão pouca gratificação, considerando tudo que foi citado no começo deste texto.
Mas uma coisa posso lhes assegurar. Quem é professor não trabalha em prol de salários, mas sim por amor a profissão e o que ela representa na vida dos alunos. A convivência diária, os ensinamentos além-conteúdos, o carinho e o voto de confiança que nossos alunos e seus pais creditam ao professor, torna esta profissão recompensadora. O professor passa de mestre a mito.
Ontem, depois de um ano movimentado e exaustante, com direito a eu repensar seriamente minha profissão, encerrei mais um ano letivo.
Pensando no todo, foi um ano bom. Ao final, após receber o carinho tanto de alunos, colegas como de pais da comunidade onde eu trabalho, percebi o meu valor enquanto professora. Afeto não tem preço e nem se cobra. Dá-se ou recebe-se.
Tudo isso me motivou a continuar.
Ao me despedir de uma colega, ela abraçou-me e disse "ah Cibele, mais um anos que terminamos juntas..."
E ontem, ao lembrar de tudo isso, eu chorei.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Homens

Um grupo de amigos, todos uniformizados de "jovens executivos", estava sentado num café de um dos bairros mais elegantes e badalados da cidade. Olhavam para todos os lados, talvez à procura de mais uma presa, rindo e conversando relativamente alto, a ponto de outros lhes ouvirem. Eu, que estava na mesa ao lado, não pude deixar de esta conversa, já que fiquei ali até terminar meu lanche.
- Sabes daquela baixinha de olho azul, aquela gostosinha, que eu conheci estes dias? Lembras?
- Ah, tá, sei. Comeu ela? - disse ele entre dentes.
Ui, que nojo. Me embrulhou o estômago.
- Ela me ligou convidando:"cara, vamos fazer alguma?"
- Comeu ela?
Quase regojitei o salgado que eu estava comendo.
- Eu fiquei meio assim, tipo o que vamos fazer, aí ela me sugeriu um bar, porque a casa dela estava uma bagunça. Eu disse pra "mina", "e eu vou lá reparar na tua bagunça"? "Tá, vem que eu vou comprar umas "cevas" pra nós" - concordou a moça.
- Cara, mas é aí? Comeu ela?
- Calma, não sabes o que aconteceu. Tinha tomado "umas" em casa. Já estava até meio "ajojado", bah, não vou mais, pensei. Mas aí fiquei pensando, a "mina" sozinha no apartamento... é hoje que ela vai pro "abate"! E fui, mas lá pelas tantas, me perdi no meio do caminho, acabei parando num pedágio"
E eu ali na mesa do lado, só escutando e pensando cá com os meus botões, onde é que a criatura foi se meter, deveria estar desesperado mesmo...
E o rapaz continuou o seu relato, enquanto os outros atentamente escutavam, na expectativa, torcendo pelo "grand finale".
- Expliquei pro carinha do pedágio a minha situação, que estava indo encontrar uma "mina", me perdi e tal, nem sabia mais como voltar. Ele disse "meu, só faz o retorno". Mas aí sabe de uma coisa, liguei pra guria e disse que não iria mais, que na real, já estava meio cansado hoje e que ficava para uma próxima vez.
- cara, então tu não comeu ela? - disseram eles, quase que em coro, desapontados.
Homens... por mais desprezíveis, ainda nos sujeitamos a eles. Ruim sem eles, pior sem eles.
Homens... serão mesmo uma espécie em evolução? Ou melhor, em extinção? Porque além de estar faltando uma boa remessa no mercado, achar um que preste, amigos, é como ganhar na loteria! Epa, este é meu, tira o olho, peguei primeiro!
Mas cá entre nós, entre ficar sozinha a ter que aguentar sujeitinhos como aqueles acima citados, sou muito mais de ficar é comigo mesma!
Homens, quanto mais os conheço, mais gosto dos animais!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Câncer

Relacionamentos afetivos às vezes são como um câncer, nunca sabemos quando estamos curados. Há pessoas que passam em nossas vidas para nos fazer bem e outras só para nos destruir.
Quando nos descobrimos doentes de certas pessoas a primeira coisa a fazer é chorar, gritar, cair em profundo desespero e perguntar "por que"? Depois de se aventurar neste abismo sem fim, surge uma força que nem sabemos de onde vem e então decidimos lutar. Decidimos que não podemos nos entregar assim tão fácil.
Sabemos que é doloroso, que o tratamento será difícil e exaustante e os caminhos são incertos, mas o instinto de sobrevivência é muito maior.
Para nos auto-preservar, adotamos hábitos diferentes, nos livramos de vícios, enfim tudo que nocivo ao nosso bem estar.
Assim um dia após o outro, vamos vencendo a dura batalha de evitar quem nos faz sofrer. Parecia impossível, mas acreditamos, vendo os resultados satisfatórios, que vamos ficar totalmente curados. O medo das recaídas é iminente, mas por que não seguir em frente?
E aí quando estamos felizes, brindando vitórias, achando que estamos curados e que este mal nunca mais se apoderará de nós, surge uma surpresa desagradável. Aquela pessoa que tanto queremos longe da nossa vida reaparece e aí surgem as dúvidas e incertezas, o medo de passar por tudo novamente, dá vontade de desistir. Estávamos tão magnificamente bem, por que vivenciar tamanha dor outra vez? Por que esta doença voltou?
Mesmo fazendo o tratamento corretamente estaremos sujeitos a reincididas, cabe a nós continuar lutando pela cura.
E mesmo enfraquecida por toda a exposição que de novo passei, gritei a plenos pulmões:
"- Não me procure nunca mais!"
Até o presente momento, estou sã. Hoje.