segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Câncer

Relacionamentos afetivos às vezes são como um câncer, nunca sabemos quando estamos curados. Há pessoas que passam em nossas vidas para nos fazer bem e outras só para nos destruir.
Quando nos descobrimos doentes de certas pessoas a primeira coisa a fazer é chorar, gritar, cair em profundo desespero e perguntar "por que"? Depois de se aventurar neste abismo sem fim, surge uma força que nem sabemos de onde vem e então decidimos lutar. Decidimos que não podemos nos entregar assim tão fácil.
Sabemos que é doloroso, que o tratamento será difícil e exaustante e os caminhos são incertos, mas o instinto de sobrevivência é muito maior.
Para nos auto-preservar, adotamos hábitos diferentes, nos livramos de vícios, enfim tudo que nocivo ao nosso bem estar.
Assim um dia após o outro, vamos vencendo a dura batalha de evitar quem nos faz sofrer. Parecia impossível, mas acreditamos, vendo os resultados satisfatórios, que vamos ficar totalmente curados. O medo das recaídas é iminente, mas por que não seguir em frente?
E aí quando estamos felizes, brindando vitórias, achando que estamos curados e que este mal nunca mais se apoderará de nós, surge uma surpresa desagradável. Aquela pessoa que tanto queremos longe da nossa vida reaparece e aí surgem as dúvidas e incertezas, o medo de passar por tudo novamente, dá vontade de desistir. Estávamos tão magnificamente bem, por que vivenciar tamanha dor outra vez? Por que esta doença voltou?
Mesmo fazendo o tratamento corretamente estaremos sujeitos a reincididas, cabe a nós continuar lutando pela cura.
E mesmo enfraquecida por toda a exposição que de novo passei, gritei a plenos pulmões:
"- Não me procure nunca mais!"
Até o presente momento, estou sã. Hoje.

4 comentários:

  1. Navegar por rios turbulentos, cheios de temores, um saber à espera, uma utopia sem quem a represente. Ao amar nos damos conta de que somos um em dois (do francês Je me dois). Somos aquilo que sustenta um imponderável traçado imperfeito, como uma carta tão linda endereçada a alguém que jamais a lerá. E brinco com as dores, pois também eu devo adorá-las. Sou assim um "adora-dor" como nos teus olhos suplicantes, uma noite de simplicidade nos cega facilmente. é nesse tabernáculo que escrevo aos cantinhos, essa estranha forma de ser ao mesmo tempo o que mais se odeia, pois se pensa amar ao devanear, se pensa tudo ser sem que se baste e ao fim não se pensa mais, mas se deixa viver!

    ResponderExcluir
  2. Mas escrevi meio incompleto. Quando ha tantos estilhaços, se está impregnado ainda. Os pedaços mesmo que se falem estãoa inda cheios um do outro. Mesmo que esse silêncio seja possível ainda ha muita coisa... E ha cada coisa que não tem nome!

    ResponderExcluir