quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ontem eu chorei

Ser professor no Brasil não é uma atividade que se diga fácil. A falta de prestígio, salários baixos, o descaso com a educação, a violência, o "bullying" e o estresse cotidiano, enfim, é uma gama de aspectos que tornam esta profissão extremamente desmotivante.
É mais comum do que se pensa estes profissionais desenvolverem problemas psicológicos relacionados ao estresse, porque convenhamos, qual é o profissional que além de cumprir sua carga horária no local de trabalho, ainda assim leva trabalho para casa?
A Síndrome de Burnout é um termo que representa o estado de esgotamento prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho. O termo burnout (que significa, em inglês "combustão completa") produz principalmente a sensação de exaustão e ausência de personalização no trabalho na pessoa acometida.
Pouco divulgado, mas corriqueiros entre nossos profissionais da educação, burnout é comumente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho e os acometidos desta síndrome tem prazos muito pequenos para recuperação.
O professor tem uma tarefas múltiplas. Como educador, ele tem que acima de tudo ensinar, dar limites e disciplina, dar conta dos conteúdos a serem desenvolvidos e como se não bastasse, muitas vezes tem de desempenhar a tarefa dos dos pais, que em grande parte, depositam nele, a função de representá-los enquanto estão ocupados em seus afazeres.
Sinceramente, é uma carga muito pesada para tão pouca gratificação, considerando tudo que foi citado no começo deste texto.
Mas uma coisa posso lhes assegurar. Quem é professor não trabalha em prol de salários, mas sim por amor a profissão e o que ela representa na vida dos alunos. A convivência diária, os ensinamentos além-conteúdos, o carinho e o voto de confiança que nossos alunos e seus pais creditam ao professor, torna esta profissão recompensadora. O professor passa de mestre a mito.
Ontem, depois de um ano movimentado e exaustante, com direito a eu repensar seriamente minha profissão, encerrei mais um ano letivo.
Pensando no todo, foi um ano bom. Ao final, após receber o carinho tanto de alunos, colegas como de pais da comunidade onde eu trabalho, percebi o meu valor enquanto professora. Afeto não tem preço e nem se cobra. Dá-se ou recebe-se.
Tudo isso me motivou a continuar.
Ao me despedir de uma colega, ela abraçou-me e disse "ah Cibele, mais um anos que terminamos juntas..."
E ontem, ao lembrar de tudo isso, eu chorei.

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