domingo, 4 de janeiro de 2009

Ne me quitte pas

Se eu pudesse fazer uma minissérie sobre uma vida, ela seria assim:
A história de uma mulher intensa, autêntica e cheia de histórias tristes para contar. Alguém que conseguiu de certa forma, driblar uma vida condenada ao tédio de não ser ninguém. De ninguém passou a mito. Contaria a trajetória de uma mulher que para chegar até onde chegou, sofreu como poucos, riu como muitos e violentou-se como só ela soube. Só ela mesma, vivenciou.
Seria a história de uma menina que na infância descobriu do jeito mais abrupto, o que é bonito ou feio. De uma criança que cedo conheceu a morte de perto e daí por toda sua vida passou a temê-la. Esta criança perdeu amigos, parente e amores do qual ela nunca mais conseguiu esquecer e a lembrança destes teimam em acompanhá-la até seus dias finais.
Esta é a história de uma mulher carente. Com uma vida repleta de amores mal sucedidos e mal resolvidos. O seu maior erro foi o excesso. Excesso de amor, de ciúmes, de carinho e de brigas. Faltou a esta mulher boas doses de amor próprio, que ela tentou suprir através da comida, da bebida e das drogas.
A carência latente da personagem principal provém de um lar não muito dotado de amor e carinho. Onde lhe foram plantadas sementes de baixa auto-estima, que ela resistiu em carregá-las com ela.
Esta mulher, apesar de sua insegurança, conseguiu como poucos juntar forças e suceder em muitos aspectos de sua vida. Mas não conseguiu o que ela há muito almejava, um amor tranquilo, um amor que a acalentasse e que dela cuidasse, como pouquíssimos em sua vida o fizeram.
Minha minissérie teria como trilha sonora muitas músicas “dor de cotovelo”. Estas músicas seriam uma excelente trilha sonora para embalar a desventurada vida de alguém que lutou tanto para conseguir tudo o que a duras penas conquistou.
A única coisa do qual morreu se queixando, foi a falta de um grande amor.
Suas últimas palavras foram em vão, ouvidas e tão pouco atendidas: Ne me quitte pas.

Ne Me Quitte Pas - Não me Deixes (Tradução).
(Jacques Brel).
Não me deixes,
Não me deixes,
É preciso esquecer,
Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.
Te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.
Quantas vezes não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casam
Para que o céu se inflame.
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
Deixa-me ser a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes,
Não me deixes.

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