terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Senhor Berlim

Foi no ano de 2000 que eu conheci esta figura de quem eu nunca mais vou esquecer. Ele passou por minha vida rapidamente, sem que tivéssemos muito tempo para nos conhecermos melhor. Mas este pouco tempo fez sim a diferença, e hoje posso lembrar dos divertidos e memoráveis momentos que passamos juntos.

Eu conheci Berlim, através de A., que era amigo de meu ex-noivo. Assim que nos conhecemos, A. e eu ficamos amigos e ele logo me apresentou seus filhos pequenos, que se tornaram grandes amigos meus. Nós fazíamos várias programações juntos, pois as crianças já tinham se afeiçoado a mim e eu as adorava. Um dia fomos visitar a casa deles e após inúmeras brincadeiras as crianças pediram que dormíssemos lá. Nós ficamos é claro, mas não sem antes sermos apresentados a um dos hóspedes da casa. Eu, à primeira vista, não pude negar que seu tamanho me intimidava, na verdade eu não queria ter um contato maior com Berlim, pois estava era morrendo de medo dele. Nossos primeiros contatos não foram muito amistosos, apesar das inúmeras tentativas das crianças e dos rapazes de me convencerem que ele era uma criatura dócil e que não seria capaz de fazer mal algum.

Mas, nada que o tempo, não ajudasse. Como éramos visitas frequente da casa, tive logo que me acostumar com suas recepções desastradas que quase me derrubavam toda a vez que eu chegava.

Foram muitos os nossos momentos, meus com Berlim, a quem carinhosamente, comecei a chamar de senhor Berlim, após certa intimidade.

Uma vez fomos passar uns dias na casa de A. enquanto ele viajava com a sua família. Eu estava com alguns sintomas de pânico e não havia nada que me fizesse dormir. Como era uma casa localizada em um lugar meio ermo, eu temia que de repente a casa fosse invadida, vai saber, ? Nunca morei em casas! Mas o meu ex-noivo me tranquilizou, dizendo que o senhor Berlim era um ótimo cão de guarda e que iria nos proteger, nada nos aconteceria. E assim acabei dormindo, graças ao senhor Berlim, porque me senti extremamente protegida sabendo que ele estava lá.

Passado um tempo sem visitarmos A., resolvemos fazer uma nova visita e para minha surpresa, sou recebida por um pastor alemão mais jovem e menos brincalhão. Apesar de ser muito parecido com Berlim, mesmo eu, que não entendo bolhufas de cães, percebi que este não era o senhor Berlim.

Foi muito triste para mim. Depois desta visita, coincidentemente ou não, nunca mais voltei lá naquela casa. E além disso tantas outras coisas aconteceram. Cada um tomou seu rumo, seguiu sua vida. Parecia que estava prevendo que nunca mais o veria, então peguei uma foto do senhor Berlim, que as crianças me deram e guardo-a até hoje como recordação.

O senhor Berlim foi a minha primeira aproximação com cães, com ele aprendi a não ter mais medo de cachorros.

Em tempos de "Marley e eu" dá uma pequena tristeza e uma saudade enorme lembrar de cães que como Berlim, fizeram parte do meu seleto grupo de amigos caninos. E que nem o tempo ou as circunstâncias, me farão esquecê-los.

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