domingo, 21 de novembro de 2010

Depois Daquele Beijo

Lindinha conheceu Dadinho em uma época muito turbulenta de sua vida. E Dadinho parecia estar na melhor fase de sua vida. Eles trabalhavam no mesmo prédio e todos os dias pegavam o elevador juntos. De um simples bom dia, começaram a conversar sobre amenidades.

As conversar tornaram-se mais frequentes e um dia Dadinho convidou Lindinha para almoçar. A partir deste dia, surgiram outros convites. Tanto de Dadinho para Lindinha, quanto de Lindinha para Dadinho. Os almoços eram animados e eles falavam de tudo um pouco. Daí nasceu a amizade de Lindinha e Dadinho.

Com o tempo Lindinha e Dadinho tornaram-se cada vez mais íntimos em suas conversas. Ela contava suas angústias, dúvidas, desejos e anseios e assim fazia Dadinho. Desta bela amizade entre os dois nasceu uma cumplicidade de invejar amigos de infância, pois eles haviam se tornado muito próximos.

Juntos Dadinho e Lindinha podiam ser quem eles quisessem, não precisavam representar nenhum papel. Faziam molecagens, pregavam peças um no outro, riam com suas conquistas e eram solidários com seus problemas. A confiança entre os dois era mútua.

Até que um dia aconteceu o inesperado ou será aquilo que já era esperado?

Lindinha beijou Dadinho. Dadinho beijou Lindinha. Na boca. Um beijo desesperado. Sim, aquilo já era esperado. Estava escrito, será só os dois não sabiam?

Um beijo no elevador. Por alguns segundos o tempo parou para Lindinha e Dadinho. Boca com boca, língua roçando e a barba de Dadinho assando o rosto de Lindinha. Os braços de Dadinho dançavam pelo corpo de Lindinha e ela tinha sede dele. Fazia tempo que ela não beijava alguém assim, não queria que aquele beijo acabasse.

Mas as portas do elevador se abriram e eles tinham que se recompor. Antes de cada um partir para seu destino, mais um beijo escondido na salinha de xerox.

-Tenho que ir. - disse Dadinho.

Lindinha ficou observando melacolicamente Dadinho correr as escadas de acesso, que o levariam a porta da rua. Lindinha ficou na empresa fazendo hora extra. Ainda sentia o gosto de Dadinho em sua boca. Sentia o cheiro de Dadinho entranhado em sua pele, mas nada poderia fazer a não ser sonhar com aquele beijo.

A vida de Lindinha e Dadinho seria diferente depois daquele beijo e Lindinha sabia porque não poderia sonhar em chamar Dadinho de seu.

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