sábado, 27 de novembro de 2010

A Resposta de Lindinha

Aquela semana seguida do beijo, foi uma semana interminável para Lindinha. Uma sucessão de coisas estranhas estavam acontecendo e ela ansiava por uma resposta. Queria saber o quer fazer e como agir daqui por diante, queria as coisas voltassem ao seu normal, mas por mais que isso desejasse, mais pensamentos relacionados a Dadinho atropelavam sua mente.

Certo dia Lindinha e Dadinho almoçaram juntos e durante o almoço conversaram sobre muitas coisas. Os dois se mostraram confusos e ao se perguntarem sobre como agir daqui por diante eles responderam que queriam continuar como amigos e que não passariam do beijo. Foi só um beijo, disseram e não aconteceria mais. Os dois se gostavam, mas preferiam deixar as coisas assim como estavam. Tanto para Dadinho, que atravessava um momento delicado de sua vida particular, assim digamos, como para Lindinha, que não queria ir contra seus princípios, seria um escolha prudente.

No fundo, no fundo, nenhum dos dois saiu satisfeito, mas nem sempre se tem tudo que quer. E depois daquele dia, Lindinha e Dadinho acabaram se afastando.

Lindinha estranhou a ausência de Dadinho, mas achou por bem se afastar, sentia que Dadinho necessitava que Lindinha desse um espaço para ele. Quem sabe um dia as coisas voltariam a ser como eram antes?

Mesmo reprimindo seus pensamentos e desejos, Dadinho continuava a habitar os pensamentos de Lindinha. Dadinho estava tão distante de Lindinha, quando eles se cruzavam no elevador, ele era vago, apesar de tentar disfarçar. Lindinha reparou nos dias seguintes, que Dadinho, frequentemente olhava o celular e parecia esperar por alguma resposta. O que haveria de ser?

Certo dia, Lindinha pensou em convidar Dadinho para almoçar, como antes faziam, mas resolveu não fazer. Preferiu convidar a amiga que era colega de sala de Dadinho.

Durante o almoço, a amiga comentou que Dadinho andava muito misterioso e que recebia várias mensagens ao longo do dia. Antes de ela sair para almoçar contou a amiga, Dadinho havia recebido uma mensagem de celular e ficara todo sorridente.

Lindinha voltou do almoço mais cedo, pegou o elevador com Dadinho e a estagiária. Os três cumprimentaram-se com um aceno de cabeça. O silêncio era ensurdecedor. De canto de olho, Lindinha observava a estagiária, uma jovem loira e de olhos verdes, dar risinhos nervosos para Dadinho, que correspodia com gestos e os dois se comunicavam sem emitir som algum . Mas Lindinha conseguia fazer a leitura labial e pegou o principal contexto da conversa. Haveria um encontro.

Antes de os três descerem do elevador a estagiária deixou suas pastas caírem no chão e atrapalhada tentou juntá-las. Dadinho foi solidário com a moça e rapidamente juntou as folhas que haviam se estalhapalhado no chão. Lindinha também ajudou a menina, que envergonhada agradeceu e saiu, como se estivesse lhe devendo um grande favor. Logo depois, saiu Dadinho. Ao ajudar a moça, Dadinho não reparou, mas deixou cair de sua mão, um guardanapo de papel de restaurante, com uma marca de um beijo de batom, em que a seguinte mensagem estava escrita:

"E que se dane o mundo, e que se dane tudo. Eu largo tudo, tudo, pra poder te ver.
Tudo que fasso ou não fasso (sic) não me arrependo"

Lindinha estava chocada. Era uma enxurrada de informações desagradáveis para a pobre Lindinha. O bilhete e a declaração velada da estágiaria a Dadinho. "Faço" com dois "SS", a menina não sabia nem escrever direito. Dadinho estava tendo uma caso com a estagiária. Dadinho, que estava em um momento de sua vida particular tão delicado! Era assim que Dadinho resolvia os seus problemas? Arranjando outros?

Apesar do desapontamento e decepção, Lindinha refletiu que isso tudo não era problema seu. Não cabia a ela julgar Dadinho A única coisa que ela sabia é que a partir daí, ela havia obtido a resposta que ela esperava.

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