sábado, 25 de dezembro de 2010

Brigar por Comida

Os meus encontros familiares me lembram um pouco o seriado "A Grande Família". Quando se reúnem, alguém sempre acaba brigando ou dizendo alguma coisa que não deve, mas ai de quem vier de fora, dizer uma coisinha só da nossa família para ver o que é bom para tosse, porque nós podemos até brigar entre nós, mas ninguém estranho pode falar da gente. Entenderam?

Seria trágico se não fosse cômico, uns implicando com os outros. Uns nem aí, alheios ao que está acontecendo, outros preocupados demais. Alguns com humores que mudam constantemente. Do tipo que vai do riso às lágrimas. Às vezes eu penso que daria um bom seriado pastelão.

Ontem por exemplo depois da ceia natalina e troca de presentes, uma das minhas irmãs tratou de se mandar, antes que a tempestade literalmente se manifestasse. Levou filha, namorado, periquito e papagaio. Resolveu deixar a incumbência de levar meus pais que já são idosos para casa, juntamente com a minha irmã e meu cunhado. Só que na hora de ir embora, o mundo resolveu desabar. Uma tempestade daquelas, não dava nem para sair na rua pois faltou até luz e chovia cães e gatos! A minha irmã mais velha e anfitriã sugeriu que todos pousassem naquela noite em sua casa, já que no dia seguinte teria almoço em família. Ela alojou todo mundo onde deu. O problema de tudo é que eu detesto dormir fora de casa. Eu já tenho dificuldade de dormir e na casa dos outros ainda, nem se fala.

No dia seguinte, acordei com os gritinhos de felicidade do meu sobrinho, ainda em volta dos presentes e os meus pais e a minha irmã estavam se preparando para tomar café da manhã. Detalhe: já eram onze horas da manhã e eu pensei, talvez não fosse uma boa ideia tomar café, mas sim almoçar, pois estava mais para hora do almoço, do que para o café da manhã. Avisei a minha irmã que iria almoçar, mas como o resto da família ainda estava dormindo e nem parecia querer acordar tão cedo, ela respondeu que talvez fosse melhor eu esperar todo mundo para almoçarmos juntos, na mesa. "Faz um lanchinho", disse minha irmã. Isto me remeteu a uma lembrança, acontecida a muito tempo atrás quando eu era pelo menos uns dez anos mais jovem do que eu sou hoje.

Eu tinha passado o Ano Novo na casa da família de um ex-namorado e como eu não aguentava mais ficar deitada resolvi levantar. Eu era tímida e nem tinha muita intimidade com a família dele, por isso não queria aparecer sozinha e insisti que ele levantasse comigo, mas ele ficava naquele jogo mole, do "depois", "só mais um pouquinho" e eu estava louca de fome, então resolvi ir sozinha. Quando cheguei na sala, estava toda a família reunida, tomando café da manhã e eu fiquei parada, olhando com aquela cara de cachorro pidão, me lambendo toda. Ninguém me ofereceu uma xícara de café. Nada. O tempo todo que eu estive ali, eles me ignoraram. A minha ex-cunhada, que até me convidara para ser madrinha da filha dela, não me ofereceu nada e muito menos a minha ex-sogra, que me "adorava" (eu sempre tive um azar para sogras, nunca me dei bem com elas!). Eu parecia uma "dalit", uma intocável, nem chegavam perto de mim, não me falavam e ainda guardaram toda a comida quando eu cheguei.

Quando eu entrei no quarto o meu ex, graças a Deus já estava acordado. Eu comecei a chorar, estava quase desmaiando e ele, que era tão carinhoso, já foi logo me levando para cozinha e providenciando o que eu comer. E o que eu me lembro é "ela tem que esperar para almoçar como todo mundo." Foi o que as mulheres da casa disseram.

...
Tudo bem, já passou e faz tempo, é uma situação bem diferente da que ocorreu aqui na minha irmã, pois ela não é mesquinha e só queria reunir a família e como ela mesmo disse, após eu ter contado este fato, vale a pena ficar relembrando este ocorrido, com tantos detalhes?

Apenas um fato que lembrei e senti vontade de contar, posso?

Lição: Brigar por comida é mesquinharia.

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