terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Desventuras de um Celular

Há pouco tempo atrás resolvi trocar de celular, já que o meu tem pelo menos uns quatro anos de uso, está apresentando problemas na bateria e também não possui chip. Resolvi fazer um plano e trocar o celular. Tudo isso a muito custo, pois eu ainda possuo uma relação de muito carinho com meu antigo celular. Além do mais, tenho dificuldades de adaptação. Assim foi com o meu antigo carro. Demorei um tempo até me acostumar com o novo, que é cem por cento mais moderno que o antigo.

Decidida, mas nem tanto, fui a um shopping da capital e procurei um quiosque de atendimento da minha operadora para fazer todos os trâmites. Quando cheguei, mal pude acreditar na fila. E os clientes dizendo que estavam esperando há uma hora para ser atendidos. Alguns até desistiram, mas eu resolvi esperar, pois se não o fizesse, iria desistir da minha ideia de trocar o celular e fazer o plano. Achei que era exagero dos clientes dizer que estavam esperando um hora para serem atendidos até eu vivenciar esta experiência nada agradável. Eu fui chamada pra ser atendida após uma hora!

Quem me atendeu foi uma moça, com ar blasê. Expliquei tudo que eu pretendia. Pedia para ver os aparelhos de celular mas não gostei de nenhum. Ela só me mostrou dois e eu, igualmente não gostei. Ela não parecia estar de muito boa vontade. O quiosque estava cheio. Ela me atendia em pé, pois os computadores estavam todos ocupados. E ao mesmo tempo ela atendia outros clientes, perguntava o que eles queriam e mandava-os para uma outra loja de acessórios de celular. Aqueles que se recusavam, ela comentava que iria deixá-los esperando, já que queriam esperar.

O que mais me chamou atenção foi a relação de cumplicidade ou algo mais entre esta moça e o outro atendente, que estava sentado na frente do computador. Como ela não tinha computador, dividia o computador com ele. Para esperar as informações, ela se debruçava nos ombros dele, para falar algo, falava ao pé do ouvido, quase que beijando a orelha do moço. Para pegar algo do balcão, não precisava, mas ela se esfregou como pode, nas pernas do rapaz e mais algumas vezes ao esperar as informações do computador, debruçada nos ombros dele, vi a atendente beijar o pescoço do colega. Eu pensei que eles eram namorados, pois vi um nome "Camila" tatuado no pulso do moço. Mas logo ao ler no crachá da menina, vi que seu nome era Fabiane. Vocês já leram algo parecido? Sim, e foi aqui mesmo neste blog, mas não com tanto detalhes. Estou falando deles mesmos. Para quem não leu ou não lembra, leia a postagem "Delírios de Consumo Natalino".

A minha história com a Fabiane e o tal moço não terminou ali, infelizmente. O pior estava por vir.

Após efetuar minha compra, Fabiane disse que o plano passaria a vigorar no meu novo aparelho em no máximo vinte e quatro horas. Saí do quiosque e fui até a loja que a própria Fabiane, indicava aos clientes que não eram atendidos, pois precisava de um cabo USB. Lá na loja, as atendentes estavam todas comentando que os clientes reclamavam do péssimo atendimento dado a eles, que eram encaminhados pela tal moça do quiosque da operadora e ainda comentaram do chamego dela com o atendente.

Vinte quatro, quarenta e oito, setenta e duas horas e nada do meu plano funcionar no novo celular. Só funcionava no antigo celular! Além do mais, eu nem tinha gostado do meu novo celular. Foi algo como: "se não tem tu, vai tu mesmo"!

Peguei o celular novo e migrei para o quiosque e fui muito bem atendida por uma outra moça, que me explicou que o problema era com a plataforma deles e que logo seria solucionado. Eu expliquei toda a minha desventura daquele dia, e disse que não tinha gostado daquele aparelho, que a outra atendente só havia me mostrado dois modelos e eu gostaria de ver algo mais moderno. Ela pacientemente me apresentou outros modelos e eu escolhi um super moderno, nem eu saberia como iria usá-lo de tão moderno que era! Eu só precisaria pagar uma diferença e resolvi pagá-la em dinheiro. Eu nem comentei que para tudo isso, demorou duas horas, sem exagero. Pois precisava da liberação de isto, senha daquilo, gerente, fulaninha aqui dando pitaco, dizendo "não, faz assim, não, faz assado". E daqui a pouco chega ela, com sua impáfia, que lhe é peculiar. A Fabiane. Fica só de canto. O moço da tattoo também chega e já assume sua posição. Enquanto isso ficam os dois naquela brincadeira, ele beija a mão dela, ela fica na volta dele, toda lépida e faceira. Tem momentos que eu acho que ela vai sentar no colo dele. Mas também, não chega a tanto.

Quando me dizem que eu só posso pagar a diferença, que é mínima, no cartão de crédito e em três vezes e para melhorar, não acho meu cartão de crédito. Eu perco a classe, não com a moça educada que até então estava me atendendo, mas com a fulaninha que toda hora dá pitaco. Digo que tudo é uma dificuldade lá, que dá vontade de desistir de tudo, não levar mais porcaria nenhuma e se a Fabiane tivesse me atendido direito, mostrasse os celulares que tinham e não ficasse de cochichinhos com o moço do lado, metade dos problemas seriam resolvidos. O rapaz deu um pulo na cadeira. Fabiane só olhava com seu ar blasê. A fulaninha ainda tentou tirar as caras pela Fabiane e eu como uma fera, lhe respondi que ela não falasse nada, pois ela nem estava lá pra dizer coisa alguma.

O saldo de tudo isso foi que a minha compra foi cancelada. Ganhei um chip. Não vou usar um celular tão moderno, mas também não posso mais continuar com o meu antigo. Vou habilitar um "primo-irmão" do meu antigo, um semi-novo, presenteado pela minha irmã mais velha. Ele é bem parecido com meu antigo e fácil de usar.

Quem sabe num futuro, não muito distante, eu me renda aos apelos de um moderno celular? Mas sem toda esta confusão, com certeza!

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