sábado, 15 de janeiro de 2011

Pedro, me dá meu chip

Estes dias assisti aquele vídeo que virou febre na internet. Uma moça num ataque de fúria resolve ir até a casa do ex-namorado, pedir um chip de celular, que segundo ela o pertencia. Como seu ex, o Pedro, não a recebe, ela começa a gritar na frente do prédio, de madrugada, que quer seu chip de volta. Ela grita para Pedro que ele devolva seu chip, por alguns minutos descontroladamente. Enquanto isso, o mesmo nem dá sinal de vida, o que a deixa muito mais irritada e gritando mais.

O vídeo quando surgiu na internet, fez o maior sucesso, tendo milhares de acessos pelo You Tube. Alguns blogueiros chegaram até procurar a rua em que ocorreu o fato e buscaram por Pedro. Até o Fantástico, entrevistou Pedro. Outros programas de televisão fizeram matérias, tentando esclarecer o porquê, de tamanho descontrole de um ser humano em razão de um chip.

Piadas a respeito foram várias. Vídeos fazendo a paródia sobre o acontecido forão as campeãs de provocar boas risadas. A com o Darth Vader, é uma delas. Tem também algumas montagens engraçadas, como a do presidente dos E.U.A. que é interrompido durante um pronunciamento pela moça que grita:

- Pedro, me dá meu chip. Devolve meu chip Pedro. Me dá meu chip. Devolve o que é meu.

Fizeram até um funk. Admito que ficou muito engraçado ficou o vídeo com a montagem.

Mas o que eu proponho aqui é fazermos uma reflexão sobre nossos sentimentos. O que leva uma pessoa a ter uma reação tão exagerada, tão extrema quanto esta? Gente, sinceramente, ninguém ficaria tão desesperado simplesmente por causa de chip de telefone, a não ser que nele contessem informações valiosíssimas. Está na cara que a ex-namorada não queria o chip, e sim queria o Pedro.

A moça não teve censura nenhuma, não se importou com o horáriode silêncio (o fato ocorreu à noite) , com os vizinhos, e principalmente, não se importou nem um pouco em se expor. Não sabemos qual foi o motivo da separação do casal, mas pelo conteúdo do vídeo, é claro que houve uma separação. O chip foi apenas um motivo para a moça ir até o rapaz e como não foi recebida, agiu com extrema emoção. O que mais me chama a atenção neste vídeo é a repetição sistemática da frase "abre esta porta". Durante grande parte de nossa vida, assim como a moça, encontramos portas fechadas, quando que o que mais queremos é encontrá-las abertas.

Não achei nada de mais num vídeo que mostra uma moça gritando desesperadamente na porta da casa de um ex-namorado. Não penso que isto seja algo de tão especial, a ponto de atiçar tanto a curiosidade alheia. Acredito que muito dos expectadores ao assistirem o vídeo, possa ter se identificado, se comovido ou mesmo se soliedarizado com a moça neste momento de dor e descontrole exaberbado. Esta demonstração exagerada de desconforto e desconsolo são sentimentos que a maioria de nós reprime. Não demonstramos, porque vivemos em uma sociedade que foi educada a internalizar suas emoções. As vezes nos acontecem coisas que somos obrrigados a engolir, deixar passar. Nem mesmo diante da morte, muito de nós não explodimos, gritamos e choramos como, no nosso íntimo, gostaríamos de fazer. Quem de nós não gostaria de num momento de inconformidade, gritar e chorar quando perdemos um ente querido ou quando nos separamos de alguém que gostávamos muito. O que fazer quando não há nada mais a ser feito? Acredito que foi movida por sentimentos de perda, de dor, raiva ou de total impotência, que a moça tenha feito tal cena.

Há outras maneiras de se entregar a dor, e acredito que haja muitas outras alternativas saudáveis de se extravasar este sentimento. Não julgo esta atitude exagerada da moça, mas também não a apoio. Sou solidária. Acho que a saída seria não se expor diante daqueles que não nos merecem. É dificil aceitar uma separação, dói, mas não podemos perder a dignidade. Não que aqueles que perdem a cabeça sejam indignos. Mas a melhor coisa num momento destes, é focar em si mesmo. Devemos nos preocupar em nos resguardar e cuidar da pessoa mais importante de nossas vidas, que somos nós mesmos.

Um relacionamento acaba, mas nossa vida não. A vida é cheia de frustrações e quanto melhor soubermos lidar com elas, mais fortalecidos ficaremos para dar continuidade a vida e viver as muitas coisas boas que estamos vivos, justamente para experenciar.

Conselho de uma pessoa impulsiva, que está aprendendo a se controlar. Diante de uma adversidade, respire fundo. Melhor engolir um sapo, perder um livro, ou até mesmo um chip do que perder a própria paz. Valerá a pena tamanho desgaste?

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