domingo, 20 de fevereiro de 2011

Equilíbrio Pessoal

Assisti dois filmes hoje, que coincidentemente tem o Brasil como tema secundário. Nos dois filmes, as protagonistas se envolviam amorosamente com um brasileiro. E nos dois, as duas procuravam manter o equilíbrio. Num deles o equilíbrio financeiro e no outro o equilíbrio pessoal.

Os filmes eram respectivamente Bonequinha de Luxo e Comer, Rezar e Amar. A sinopse dos filmes é muito mais do que eu acima comentei, com certeza. O Brasil é apenas um aperitivo para o filme. Para mim, foi algo surpreendente já que eu não sabia que este seria tratado durante os filmes.

Em Bonequinha de Luxo, a performance de Audrey Hepburn é perfeita, assim como sua beleza que encanta. O filme é uma comédia romântica e é uma joia rara do cinema de Hollywood. A história se passa em Nova York e tem seu nome original em inglês em "Breakfast at Tiffany's" e traz Hepburn como um garota de programa de luxo que sonha em se casar com um milionário.

Já em Comer, Rezar e Amar, trata-se de uma drama. Mas nada tão dramático assim. O filme emociona em muitas cenas. A performance de Julia Roberts também é excelente, na pele de uma mulher moderna que resolve viajar pelo mundo em busca de uma jornada de auto-conhecimento. Durante suas viagens à Itália, Índia e Bali, ela conhece pessoas, descobre o prazer da boa mesa, o equilíbrio da alma através da meditação e um novo amor. Curiosidade: Não é mencionado, mas Felipe, o amor brasileiro da protagonista é gaúcho, assim como eu!

Vale a pena assistir estes filmes. São filmes bem leves, emocionantes e valem a pena pela beleza da história, das personagens e das locações. Eu recomendo!

Antipatia gera antipatia

Pessoal, recebi este e-mail do meu querido Lee Swain, do Blog "Eu e Meu Chapéu", resolvi publicá-lo, para que todos possam lê-lo, já que ele não conseguiu publicar seu comentário e aproveitar para indicar o seu blog para meus leitores, pois é "tri-legal":

http://www.euemeuchapeu.com.br/

Cibele, fiz o comentário abaixo no post que vc publicou sobre o ator Ze Victor no seu blog, mas acho que por algum motivo não foi aceito. Por via das dúvidas, aí vai. Parabéns, muito legal o blog.
Bjs

"Cibele, diz o ditado que cada um colhe o que semeia. Antipatia gera antipatia. E afinal de contas, quanto custa um sorriso? Publiquei um post ano passado sobre um encontro ocasional com a Lidia Brondi em um restaurante aqui em São Paulo, em que ela foi simpaticíssima, e inclusive posou para foto com a maior boa vontade. Este post virou uma febre, e os fãs da atriz enviam comentários diariamente para ela. Simpatia gera simpatia."

Lee Swain


A foto que a atriz, no qual sou fã, gentilmente tirou para a esposa de Lee Swain

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Insensato Coração

Ontem fui almoçar na Lancheria do Parque, no tradicional bairro Bom Fim, na minha cidade, Porto Alegre e adivinhem quem eu encontrei por lá? O ator gaúcho e "global" Zé Victor Castiel. O Werner, de Insensato Coração.

Não me causou grande surpresa encontrá-lo na Lancheria do Parque já que eu sei que outros artistas gaúchos, como o cantor Nei Lisboa, também frequentam este lugar. Eu mesma já o vi lá.

Quem percebeu a presença do Zé Victor, foi um amigo meu que estava almoçando comigo. Quando eu o vi, achei o sorridente, simpático com os garçons, pensei, que talvez se eu fosse até até lá o cumprimentar, também seria igualmente simpático comigo. Mas confesso que estava com um pouco envergonhada.

Esta semana eu estive pensando que, eu, que já avistei alguns artistas globais e até mesmo tive coragem de ir até eles, cumprimentá-los e tirar uma foto, nestas minhas andanças, nunca tinha feito tal gesto com algum artista gaúcho, meu conterrâneo, da minha terra. Por que não exaltar um artista da minha terra, como um destes artistas que eu já encontrei no Rio de Janeiro?

Não pensem vocês que eu sou uma daquelas tietes, que não pode ver artista que já vai saindo correndo, pedir autógrafo, não! Eu não sou assim. Mas quem é que não gosta de ser reconhecido? Se eles não gostassem de ser figuras públicas, que não conseguem conviver com o carinho das pessoas, teriam escolhido qualquer outra profissão em que eles pudessem viver como pessoas anônimas, comuns.

O acordeonista Renato Borghetti
Estes dias eu estava no Bom Fim, tomando um sorvete e vi um cara de cabelos compridos, bombachas, boina e alpargatas, passeando pela rua e falei de brincadeira, Renato Borghetti! E não é que era o próprio? Na mesma hora, na minha cabeça já veio aquele som inconfundível da sua gaita. Renato Borghetti, para quem não sabe é um músico gaúcho que toca gaita, como só ele. Fiquei observando-o de longe, mas pensei que na próxima vez que visse algum artista gaúcho, gostaria de cumprimentá-lo, dizer algumas palavras legais, afinal, é tão bom ver nossos gaúchos dando certo!

Olha a Beija-Flor aí gente! Chora cavaco!

Pois ontem eu tive esta oportunidade com o Zé Victor Castiel. Para quê?

Eu estava bem insegura, mas para quem já bateu papo, como se fosse velha conhecida do Neguinho da Beija-Flor, no Aeroporto de Cumbica - aliás, o Neguinho é uma pessoa muito simples, simpatissíssimo, adorei conhecê-lo! - achei que ir dar um alô para o Zé Victor Castiel, seria fichinha!

Quando eu cheguei perto dele, ele me olhou de cima a baixo. Eu falei com ele, cumprimentei-lhe sobre seu trabalho e ele nem deu um sorriso. Na hora pensei, para que trabalha com humor - ele estrela há anos a famosa peça Homens de Perto - ele parece um tanto quanto mal humorado! Ele olha que eu não fui falar com ele, enquanto ele estava comendo, fui bem breve e bem educada. Ele não me deu um sorriso!

Eu me lembrei de uma vez, não faz muito tempo também, que eu fui almoçar num restaurante nordestino, lá em Santa Tereza, no Rio e me disseram que neste mesmo restaurante, quase em frente da minha mesa, estava o ator Lázaro Ramos. Lázaro Ramos interpreta o André Gurgel, de Insensato Coração e é colega de elenco do Zé Victor na novela. Diferentemente do meu conterrâneo, o ator Lázaro Ramos foi uma pessoa super agradável, me deu três beijinhos, conversou comigo numa boa, sem estrelismos. Disse que gostava muito de Porto Alegre e que tinha um carinho especial pelos gaúchos. Tirei até foto com ele. Ó pai, ó!
Ó pai, ó! Lázaro Ramos
 Lá no Rio, os cariocas gostam de andar assim bem à vontade, os atores passam por eles como pessoas normais - que são mesmo, nós é que os endeusamos - nas últimas vezes que estive lá, passei por alguns e se não tivessem me dito que tal pessoa era o fulano de tal, eu nem saberia quem era. Exemplos deles: Felipe Dilon, Angela Bismark e uma ator da novela Ti -ti-ti aque eu não sei o nome, mas acabei vendo onde ele morava. Para mim estas pessoas passaram despercebidas, eu não as reconheci, só sabia que eram quem eram porque me disseram.

Até a Isabelita dos Patins, eu já encontrei, na Banda de Ipanema!
 Mas nas primeiras vezes que reconheci um global, nas ruas do Rio de Janeiro, dei uma de tiete. Pedi para tirar foto, apesar de me dizerem que eu estava dando uma de "Paraíba", - o que eu achei extremamente preconceituoso e indelicado, se referir aos paraíbanos desta forma, como se os cariocas fossem as melhores pessoas do mundo! - que estava pagado mico. Nessas tirei foto com a Danni Carlos, que estava na praia do Arpoador, toda cheirosa e foi super simpática, me abraçou e tiramos uma foto bem legal. Outro colega de elenco de Insensato Coração do Zé Victor Castiel, que eu encontrei há alguns anos atrás foi aquele ator português, o Ricardo Pereira. Ele estava gravando um comercial no Mirante do Leblon e quando pedimos para tirar uma foto com ele, ele falou que só ia terminar o comercial e depois ia lá conversar com a gente e foi. Bem educado o rapaz.

´Depois de tudo isso que eu lhes contei, esperava um pouquinho mais do Zé Victor Castiel. Quando parabenizei o seu trabalho, ele resumiu-se a dizer apenas "ah, tá, ok". Uma vez eu estava lendo o blog do ator Pedro Paulo Rangel e lhe mandei um comentário, elogiando o seu trabalho e vocês nem sabem que surpresa eu tive ao receber um e-mail seu, "agradecendo minhas palavras carinhosas". De PP Rangel, como ele mesmo assinou! O pior de tudo foi quando eu estendi a mão para cumprimentar Zé Victor. Ele ficou parado olhando para a minha mão estendida, de certo acho que eu fosse pedir dinheiro para ele! Só depois de me deixar ali com a mão estendida, ele na sua impáfia, apertou minha mão. E não sei porque disse isso antes de me virar e ir embora:

- E meu nome é Cibele.

E ele ainda não entendeu e perguntou:

- Como?

- Cibele.

E fui embora, arrependida de ter ido falar com alguém tão blasê. Como se ele fosse lembrar do meu nome! Se por acaso esta postagem chegar aos olhos deles, foi a "Cibele" quem escreveu, tá?

Ao contar para uma amiga, ela ria e dizia:

- Só tu mesma, Cibele! Só tu tens "cara" para fazer estas coisas!

Eu tenho mesmo, se não, não teria mais esta história para lhes contar.
E quanto ao Zé Victor, que "Insensato Coração"!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Oferenda para Iemanjá

Dia dois de fevereiro foi o dia de Nossa Senhora de Navegantes, uma das maiores festas que ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Inclusive é feriado aqui em Porto Alegre. Existe uma fusão de concepções religiosas entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá, tem sua data comemorativa no dia 2 de fevereiro. Costuma-se celebrar o dia que lhe é devotado, com uma grande procissão fluvial.

Neste dia dois de fevereiro, eu fui passear no Gasômetro com meus sobrinhos e um amigo que veio lá do Rio de Janeiro. Estava um sol de rachar o côco.

A minha sobrinha mais velha estava mostrando os pontos turístico para o nosso amigo e tirando fotos quando de repente, eu tive uma ideia. Vou fazer uma oferenda para Iemanjá!

Mal não iria fazer, né? Eu já estava ali, tinha um monte de banquinhas vendendo rosas, observei que haviam outras pessoas com a mesma ideia que eu havia tido. Por que não tentar?

A minha sobrinha falou toda convicta, que se Iemanjá não aceitasse meus pedidos ela me devolvia a minha oferenda. Eu nem conseguiria imaginar uma possibilidade destas, de tão encorajada que eu estava para fazer minha oferenda.

Deus me que perdoe, mas acho que até aquela estátua da Elis Regina que fica ali Gasômetro teve direito a mandinga, pois alguém deixou uma garrafa de sidra e uma carteira de cigarros para ela!

Brincadeiras a parte, ainda escutei esta da minha sobrinha:

- O que tu vais pedir?
Dizem que o pedido não se diz, mas crendices à parte, eu acabei num impulso dizendo. E ela gritou, surpresa:

- Ai... eu pensei que tu ia pedir pra se casar, porque tu já está encalhadinha, né tia?

Mas ela achou bem inteligente o meu pedido.

Ao caminharmos, vimos várias pessoas soltando uns barquinhos no Rio Guaíba. A minha sobrinha comentou, que eu deveria ter um barquinho. Foi quando eu avistei um senhor vendendo embarcações de tudo quanto era tamanho e preços diferentes. Eu pedi o mais barato e coloquei minhas duas rosas ali no barquinho. A minha sobrinha achou que a minha oferenda estava muito pobre, que eu deveria colocar uns quindins, umas pipocas. Onde é que eu ia encontar quindim e pipoca aquela altura do campeonato? E quando ela falou isso, me passou uma coisa horrível pela cabeça. Sempre que eu vejo uma oferenda com quindim, me dá vontade de comer, mas eu nunca fiz isso, tá!

Como marinheira de primeira viagem, na hora de fazer oferenda, eu nem tinha ideia de como iria largar o barquinho. Sem noção nenhuma, eu achava que era só jogar o barco e pensar "muito axé"! Que nada! Estavam todos na beira do Guaíbão fazendo suas oferendas. Muitos deles estavam dentro d'água, com a água até os joelhos, oferecendo os seus barquinhos para Iemanjá e vendo se ela ia os devolvê-los ou aceitá-los.

Foi o que eu tive que fazer. "Tire os chinelos, se não tu vais escorregar", me diziam. E eu desci de chinelo e tudo, tinha muitas pedras e ferros retorcidos, mas lá embaixo pensei duas vezes antes de tirar os chinelos. Todos viam que eu estava com nojo de pisar naquela areia nojenta e diziam "marinheira de primeira viagem". Na beira do Guaíba, tinha de tudo! Tinha despacho, até uma galinha se decompondo, cacos de vidro. Eu é que não ia colocar meus pés ali!

"Entra, entra, entra" diziam. E eu entrei. Me senti no Ganges. Com todo o meu respeito à Iemanjá, que nojo que eu fiquei daquelas águas do Guaíbão! Mas pelo menos, coloquei o meu barquinho lá e ao que eu vi, Iemanjá aceitou minha oferenda.

E esta foi mais uma das tantas histórias que ainda tenho para lhes contar. Muito axé para mim. E muito axé para vocês!


Detalhe: E ainda fui de preto, se tivesse planejado colocaria um vestido branco!



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Amor Bandido

Qualquer semelhança com caso verídico é mera coincidência. Esta postagem pode conter linguagem inadequada para menores de 14 anos.

Esta é a história de Bárbara, uma adolescente de 16 anos, que nunca deu trabalho para os pais.
Bárbara, sempre foi uma menina super protegida pelos pais, que só a deixavam ir da escola para casa e da casa para escola. Os pais também não permitiam que Bárbara, tivessem amizades. Ela só poderia conversar com os irmãos menores e de maneira nenhuma poderia levar nenhuma amiga ou colega em sua casa. O maior medo de seus pais era que Bárbara se desvirtuasse e se tornasse uma dessas meninas que começa a namorar e engravide precocemente.

Bárbara foi sorteada e premiada com um curso de inglês no centro da cidade onde morava e não teria custo algum, nem com material, nem com transporte, pois o curso de inglês, pagaria tudo, mas os pais de Bárbara não aceitaram que ela fizesse o curso, pois temiam que algo ocorresse neste meio tempo de deslocamento de Bárbara.

Em casa, Bárbara se mostrava uma menina tímida e retraída. Ela costumava a ficar um pouco chocada com assuntos relacionados a sexualidade, como por exemplo, quando escutava um funk, cheio de linguagem de baixo calão, Bárbara costumava a dizer "que horror".
Na escola, Bárbara era uma adolescente como as outras. Tinha suas amigas, seus "paqueras". Ela era uma menina linda, loira, de cabelos compridos e cacheados e de olhos verdes. Seu apelido na escola era "Fergie", tamanho era sua beleza.
Bárbara conversava sobre todos os assuntos de que tinha vontade, mas sempre com suas amigas, nunca com sua mãe. Ela não se sentia à vontade para se abrir com sua mãe, pois ela era muito rígida e seus valores também.
Por ter notas muito boas, a família nunca desconfiou do problema de Bárbara. A garota se sentia muito presa e começou a ter atitudes estranhas.
Um dia ela acordou tarde para a escola e como os portões tem uma certa tolerância para os alunos que chegam atrasados, não havia porque Bárbara ir naquele dia a escola. Bábara insistiu que precisava ir à escola, mas sua mãe tentou convencer-lhe que ao chegar lá encontraria os portões da escola fechados. Bárbara chorava compulsivamente e implorava a mãe que precisava ir à escola, que não podia faltar, mas a mãe não a entendia pois ela não tinha nenhuma prova marcada para aquele dia. Sem desconfiar do que estava acontecendo com Bárbara, a mãe deixou que a menina fosse à escola, convencida de que ela apenas não queria perder mais um dia de aula.
Outra atitude estranha de Bárbara foi que ela começou a receber ligações para seu celular de madrugada. Os pais e os irmãos começaram a desconfiar, mas a eles ela dizia que era o despertador que tocava. Ela saía de mansinho, sem ninguém perceber e ia conversar no pátio de casa.
Bárbara mostrou mais uma postura curiosa, quando de repente começou a apoiar, atitudes que antes ela abominava, como meninas que engravidavam precocemente, pessoas usando palavras de baixo calão. Até funk, que ela não apreciava, agora estava escutando.
Os pais notaram uma certa modificação no comportamento de Bárbara, mas não deram a devida importância. Ela sempre foi uma menina que teve boas notas, nunca saia de casa sem os irmãos, nem para ir aos parentes ela ia sozinha. Uma vez a madrinha a convidou para irem visitar Balneário Camboriú, mas os pais não permitiram que Bárbara fosse sozinha. Somente se fossem os irmãos. Como não havia espaço físico para comportar todos, Bárbara não pode ir ao passeio com sua madrinha.
Uma noite, aconteceu o improvável. Bárbara foi embora de casa, apenas deixando um bilhete:
"Não se preocupem comigo. Estou bem, vou embora com o amor da minha vida. O Luciano e eu já estamos juntos há um ano e meio. Aqui eu estava me sentindo muito presa. Ele vai cuidar de mim. Amo vocês. Um beijo. Bárbara."
Quando a mãe de Bárbara leu aquele bilhete escrito em folha de caderno e com a letra de Bárbara, não teve dúvidas. A filha estava com um grande problema há muito tempo e nem ela e nem o marido haviam percebido. A mulher caiu de joelhos em prantos:
- Eu nunca a surrei, nunca a deixei de castigo, por que ela fez isso? O que foi que aconteceu com a minha menina? Quem é esse Luciano? Meu Deus... há um ano e meio! Como é que nós não vimos?
O pai da garota começou a revirar o quarto de Bárbara e viu que ela não tinha levado muita coisa. Apenas a roupa do corpo e uma mochila pequena com uma bermuda duas camisetas. Não levou dinheiro, não levou documentos, nem a câmera digital que ela havia ganhado de Natal do pai, ela levou. Os pais começaram a temer o pior. Será que este rapaz havia coagido Bárbara a fugir com ela para depois ela se prostituir?
A família se uniu e começou a fazer uma investigação. Começaram a ligar para as amigas de Bárbara. Ao mesmo tempo que a mãe e os irmãos faziam uma operação pente fino nos cadernos e no diário dela. Sim, Bárbara estava se relacionando com Luciano, 22 anos, rapaz negro, morador da periferia da cidade. Eles se conheceram há um ano e meio, quando Luciano ficava na frente da escola esperando a prima de uma colega de Bárbara, mas logo desistiu de namorá-la, pois encantou-se com Bárbara.
A polícia foi avisada do sumiço de Bárbara e o conselho tutelar também. A família viveu dias de angústia sem saber o paradeiro de Bárbara, até que uma dia a menina resolveu ligar de um orelhão e disse apenas estar bem e que não precisavam se preocupar, que ela nunca mais iria voltar para casa, que agora ela iria morar na praia. Quando seus pais lhe perguntaram onde ela se encontrava, a ligação caiu.
Com as poucas informações obtidas através dos depoimentos das amigas de Bárbara, o pai e o tio da menina foram até o local, onde vivia o rapaz e o que encontraram foi um lugar da mais plena miséria. A tia do rapaz os recebeu em um barracão de apenas um cômodo, onde dormia oito pessoas. Um cubículo. Lá estavam duas mulheres catando piolhos de algumas crianças, enquanto outros dormiam. Ao ser questionada sobre o caso, a tia de Luciano, foi curta e grossa ao responder-lhes:
- Como é vocês não sabiam que ela já estava há um ano e meio vindo aqui dar o rabo pra ele?
Quando o conselho tutelar entrou em ação, a coisa apertou e Bárbara foi obrigada a voltar. Luciano teve que dizer onde eles estavam ou senão reponderia pela menina, pois ela era menor de idade. Ela não queria voltar, mas Luciano a obrigou a voltar, pois não queria maiores responsabilidades. Achava-se muito jovem para assumir este risco. Ela chorava e dizia que não iria sem ele. Ele a colocou à força no ônibus.
- Volte pra sua família, Fergie, pro conforto da sua casa.
E assim acabou o romance de Bárbara.
Quando ela chegou na rodoviária, o conselho tutelar e a polícia estavam lhe esperando. Na delegacia, sua família toda lhe aguardava. Bárbara estava toda suja, assustada, parecia um bicho acuado, sentada na cadeira daquela delegacia. Sua mãe só chorava de alívio por ter sua filha de volta, suas tias também. O pai, chegou perto da menina e levantou a mão, pensamos que iria lhe fazer um carinho, mas deu-lhe um bofetão de derrubar-lhe da cadeira.
- Controle-se! - disse a delegada - O senhor, por favor, controle-se, porque pode ser autuado por maus tratos, só não será pois está sobre forte emoção!
E a vida de Bárbara nunca mais foi a mesma depois disso. Há quem diga que quando ela voltou para casa levou uma surra da mãe, mas isso ninguém sabe. A única coisa que se sabe é que a criação de Bárbara mudou muito. Os pais que antes, a proibiam de fazer tantas coisas hoje já não a proibem mais.
Hoje Bárbara mora com uma uma tia solteira. As duas tem uma ótima relação de confiança e Bárbara não precisa mentir e nem esconder as coisas, como ela fazia com seus pais. As duas conversam sobre tudo e nesta tia, Bárbara encontra um pouco da segurança que ela não encontrava nos seus pais.