quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Amor Bandido

Qualquer semelhança com caso verídico é mera coincidência. Esta postagem pode conter linguagem inadequada para menores de 14 anos.

Esta é a história de Bárbara, uma adolescente de 16 anos, que nunca deu trabalho para os pais.
Bárbara, sempre foi uma menina super protegida pelos pais, que só a deixavam ir da escola para casa e da casa para escola. Os pais também não permitiam que Bárbara, tivessem amizades. Ela só poderia conversar com os irmãos menores e de maneira nenhuma poderia levar nenhuma amiga ou colega em sua casa. O maior medo de seus pais era que Bárbara se desvirtuasse e se tornasse uma dessas meninas que começa a namorar e engravide precocemente.

Bárbara foi sorteada e premiada com um curso de inglês no centro da cidade onde morava e não teria custo algum, nem com material, nem com transporte, pois o curso de inglês, pagaria tudo, mas os pais de Bárbara não aceitaram que ela fizesse o curso, pois temiam que algo ocorresse neste meio tempo de deslocamento de Bárbara.

Em casa, Bárbara se mostrava uma menina tímida e retraída. Ela costumava a ficar um pouco chocada com assuntos relacionados a sexualidade, como por exemplo, quando escutava um funk, cheio de linguagem de baixo calão, Bárbara costumava a dizer "que horror".
Na escola, Bárbara era uma adolescente como as outras. Tinha suas amigas, seus "paqueras". Ela era uma menina linda, loira, de cabelos compridos e cacheados e de olhos verdes. Seu apelido na escola era "Fergie", tamanho era sua beleza.
Bárbara conversava sobre todos os assuntos de que tinha vontade, mas sempre com suas amigas, nunca com sua mãe. Ela não se sentia à vontade para se abrir com sua mãe, pois ela era muito rígida e seus valores também.
Por ter notas muito boas, a família nunca desconfiou do problema de Bárbara. A garota se sentia muito presa e começou a ter atitudes estranhas.
Um dia ela acordou tarde para a escola e como os portões tem uma certa tolerância para os alunos que chegam atrasados, não havia porque Bárbara ir naquele dia a escola. Bábara insistiu que precisava ir à escola, mas sua mãe tentou convencer-lhe que ao chegar lá encontraria os portões da escola fechados. Bárbara chorava compulsivamente e implorava a mãe que precisava ir à escola, que não podia faltar, mas a mãe não a entendia pois ela não tinha nenhuma prova marcada para aquele dia. Sem desconfiar do que estava acontecendo com Bárbara, a mãe deixou que a menina fosse à escola, convencida de que ela apenas não queria perder mais um dia de aula.
Outra atitude estranha de Bárbara foi que ela começou a receber ligações para seu celular de madrugada. Os pais e os irmãos começaram a desconfiar, mas a eles ela dizia que era o despertador que tocava. Ela saía de mansinho, sem ninguém perceber e ia conversar no pátio de casa.
Bárbara mostrou mais uma postura curiosa, quando de repente começou a apoiar, atitudes que antes ela abominava, como meninas que engravidavam precocemente, pessoas usando palavras de baixo calão. Até funk, que ela não apreciava, agora estava escutando.
Os pais notaram uma certa modificação no comportamento de Bárbara, mas não deram a devida importância. Ela sempre foi uma menina que teve boas notas, nunca saia de casa sem os irmãos, nem para ir aos parentes ela ia sozinha. Uma vez a madrinha a convidou para irem visitar Balneário Camboriú, mas os pais não permitiram que Bárbara fosse sozinha. Somente se fossem os irmãos. Como não havia espaço físico para comportar todos, Bárbara não pode ir ao passeio com sua madrinha.
Uma noite, aconteceu o improvável. Bárbara foi embora de casa, apenas deixando um bilhete:
"Não se preocupem comigo. Estou bem, vou embora com o amor da minha vida. O Luciano e eu já estamos juntos há um ano e meio. Aqui eu estava me sentindo muito presa. Ele vai cuidar de mim. Amo vocês. Um beijo. Bárbara."
Quando a mãe de Bárbara leu aquele bilhete escrito em folha de caderno e com a letra de Bárbara, não teve dúvidas. A filha estava com um grande problema há muito tempo e nem ela e nem o marido haviam percebido. A mulher caiu de joelhos em prantos:
- Eu nunca a surrei, nunca a deixei de castigo, por que ela fez isso? O que foi que aconteceu com a minha menina? Quem é esse Luciano? Meu Deus... há um ano e meio! Como é que nós não vimos?
O pai da garota começou a revirar o quarto de Bárbara e viu que ela não tinha levado muita coisa. Apenas a roupa do corpo e uma mochila pequena com uma bermuda duas camisetas. Não levou dinheiro, não levou documentos, nem a câmera digital que ela havia ganhado de Natal do pai, ela levou. Os pais começaram a temer o pior. Será que este rapaz havia coagido Bárbara a fugir com ela para depois ela se prostituir?
A família se uniu e começou a fazer uma investigação. Começaram a ligar para as amigas de Bárbara. Ao mesmo tempo que a mãe e os irmãos faziam uma operação pente fino nos cadernos e no diário dela. Sim, Bárbara estava se relacionando com Luciano, 22 anos, rapaz negro, morador da periferia da cidade. Eles se conheceram há um ano e meio, quando Luciano ficava na frente da escola esperando a prima de uma colega de Bárbara, mas logo desistiu de namorá-la, pois encantou-se com Bárbara.
A polícia foi avisada do sumiço de Bárbara e o conselho tutelar também. A família viveu dias de angústia sem saber o paradeiro de Bárbara, até que uma dia a menina resolveu ligar de um orelhão e disse apenas estar bem e que não precisavam se preocupar, que ela nunca mais iria voltar para casa, que agora ela iria morar na praia. Quando seus pais lhe perguntaram onde ela se encontrava, a ligação caiu.
Com as poucas informações obtidas através dos depoimentos das amigas de Bárbara, o pai e o tio da menina foram até o local, onde vivia o rapaz e o que encontraram foi um lugar da mais plena miséria. A tia do rapaz os recebeu em um barracão de apenas um cômodo, onde dormia oito pessoas. Um cubículo. Lá estavam duas mulheres catando piolhos de algumas crianças, enquanto outros dormiam. Ao ser questionada sobre o caso, a tia de Luciano, foi curta e grossa ao responder-lhes:
- Como é vocês não sabiam que ela já estava há um ano e meio vindo aqui dar o rabo pra ele?
Quando o conselho tutelar entrou em ação, a coisa apertou e Bárbara foi obrigada a voltar. Luciano teve que dizer onde eles estavam ou senão reponderia pela menina, pois ela era menor de idade. Ela não queria voltar, mas Luciano a obrigou a voltar, pois não queria maiores responsabilidades. Achava-se muito jovem para assumir este risco. Ela chorava e dizia que não iria sem ele. Ele a colocou à força no ônibus.
- Volte pra sua família, Fergie, pro conforto da sua casa.
E assim acabou o romance de Bárbara.
Quando ela chegou na rodoviária, o conselho tutelar e a polícia estavam lhe esperando. Na delegacia, sua família toda lhe aguardava. Bárbara estava toda suja, assustada, parecia um bicho acuado, sentada na cadeira daquela delegacia. Sua mãe só chorava de alívio por ter sua filha de volta, suas tias também. O pai, chegou perto da menina e levantou a mão, pensamos que iria lhe fazer um carinho, mas deu-lhe um bofetão de derrubar-lhe da cadeira.
- Controle-se! - disse a delegada - O senhor, por favor, controle-se, porque pode ser autuado por maus tratos, só não será pois está sobre forte emoção!
E a vida de Bárbara nunca mais foi a mesma depois disso. Há quem diga que quando ela voltou para casa levou uma surra da mãe, mas isso ninguém sabe. A única coisa que se sabe é que a criação de Bárbara mudou muito. Os pais que antes, a proibiam de fazer tantas coisas hoje já não a proibem mais.
Hoje Bárbara mora com uma uma tia solteira. As duas tem uma ótima relação de confiança e Bárbara não precisa mentir e nem esconder as coisas, como ela fazia com seus pais. As duas conversam sobre tudo e nesta tia, Bárbara encontra um pouco da segurança que ela não encontrava nos seus pais.

2 comentários:

  1. Belo texto e ótimo desfecho!

    Saudades Cibele. :}
    Ian

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  2. Ian...
    Obrigada pelo comentário! Continue visitando e lendo o blog. Saudades!

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