quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Oferenda para Iemanjá

Dia dois de fevereiro foi o dia de Nossa Senhora de Navegantes, uma das maiores festas que ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Inclusive é feriado aqui em Porto Alegre. Existe uma fusão de concepções religiosas entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá, tem sua data comemorativa no dia 2 de fevereiro. Costuma-se celebrar o dia que lhe é devotado, com uma grande procissão fluvial.

Neste dia dois de fevereiro, eu fui passear no Gasômetro com meus sobrinhos e um amigo que veio lá do Rio de Janeiro. Estava um sol de rachar o côco.

A minha sobrinha mais velha estava mostrando os pontos turístico para o nosso amigo e tirando fotos quando de repente, eu tive uma ideia. Vou fazer uma oferenda para Iemanjá!

Mal não iria fazer, né? Eu já estava ali, tinha um monte de banquinhas vendendo rosas, observei que haviam outras pessoas com a mesma ideia que eu havia tido. Por que não tentar?

A minha sobrinha falou toda convicta, que se Iemanjá não aceitasse meus pedidos ela me devolvia a minha oferenda. Eu nem conseguiria imaginar uma possibilidade destas, de tão encorajada que eu estava para fazer minha oferenda.

Deus me que perdoe, mas acho que até aquela estátua da Elis Regina que fica ali Gasômetro teve direito a mandinga, pois alguém deixou uma garrafa de sidra e uma carteira de cigarros para ela!

Brincadeiras a parte, ainda escutei esta da minha sobrinha:

- O que tu vais pedir?
Dizem que o pedido não se diz, mas crendices à parte, eu acabei num impulso dizendo. E ela gritou, surpresa:

- Ai... eu pensei que tu ia pedir pra se casar, porque tu já está encalhadinha, né tia?

Mas ela achou bem inteligente o meu pedido.

Ao caminharmos, vimos várias pessoas soltando uns barquinhos no Rio Guaíba. A minha sobrinha comentou, que eu deveria ter um barquinho. Foi quando eu avistei um senhor vendendo embarcações de tudo quanto era tamanho e preços diferentes. Eu pedi o mais barato e coloquei minhas duas rosas ali no barquinho. A minha sobrinha achou que a minha oferenda estava muito pobre, que eu deveria colocar uns quindins, umas pipocas. Onde é que eu ia encontar quindim e pipoca aquela altura do campeonato? E quando ela falou isso, me passou uma coisa horrível pela cabeça. Sempre que eu vejo uma oferenda com quindim, me dá vontade de comer, mas eu nunca fiz isso, tá!

Como marinheira de primeira viagem, na hora de fazer oferenda, eu nem tinha ideia de como iria largar o barquinho. Sem noção nenhuma, eu achava que era só jogar o barco e pensar "muito axé"! Que nada! Estavam todos na beira do Guaíbão fazendo suas oferendas. Muitos deles estavam dentro d'água, com a água até os joelhos, oferecendo os seus barquinhos para Iemanjá e vendo se ela ia os devolvê-los ou aceitá-los.

Foi o que eu tive que fazer. "Tire os chinelos, se não tu vais escorregar", me diziam. E eu desci de chinelo e tudo, tinha muitas pedras e ferros retorcidos, mas lá embaixo pensei duas vezes antes de tirar os chinelos. Todos viam que eu estava com nojo de pisar naquela areia nojenta e diziam "marinheira de primeira viagem". Na beira do Guaíba, tinha de tudo! Tinha despacho, até uma galinha se decompondo, cacos de vidro. Eu é que não ia colocar meus pés ali!

"Entra, entra, entra" diziam. E eu entrei. Me senti no Ganges. Com todo o meu respeito à Iemanjá, que nojo que eu fiquei daquelas águas do Guaíbão! Mas pelo menos, coloquei o meu barquinho lá e ao que eu vi, Iemanjá aceitou minha oferenda.

E esta foi mais uma das tantas histórias que ainda tenho para lhes contar. Muito axé para mim. E muito axé para vocês!


Detalhe: E ainda fui de preto, se tivesse planejado colocaria um vestido branco!



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