segunda-feira, 28 de novembro de 2011

22

É com lágrimas nos olhos que escrevo esta postagem. Dia 26 de novembro, meu irmão faria aniversário. É muito duro saber que não irei mais abraçá-lo, nem dar-lhe os parabéns. Apenas poderei no máximo, encontrar-lo em sonhos, que hoje em dia andam tão raros. Eu não consigo esquecê-lo, nunca o esqueci, a dor da perda apenas diminuiu com o tempo, mas não apagou o sentimento que eu sempre tive por ele.

Ele tinha 22 anos de idade quando partiu. E eu 10. Ele parecia tão maduro. Quando fiz 22 anos, não me achei tão madura quanto eu o achava.

Ele partiu de moto e nunca mais voltou. Até hoje eu fico esperando ouvir o barulho de suas chaves na fechadura, como ele fazia quando chegava em casa.

Eu lembro do seu último Natal. Nós dançamos e ele disse carinhosamente que eu estava "borracha". Lembro dos nossos últimos momentos juntos, do abraço que ele me deu antes de eu viajar para o interior para passar o Ano Novo. Eu acho que ali ele já se despediu.

Também nunca esquecerei a noite do dia 31de dezembro de 1988. Foi o pior Reveillon que alguém poderia passar. Eu estava no interior com meus pais e minhas irmãs mais novas e como se estivesse prevendo, perguntei a um primo que horas eram. Ele respondeu que eram 19:30. E eu fiquei repetindo "sete e meia, sete e meia". Coincidência ou não, foi horário em que ele morreu.

Quando vieram avisar que ele havia sofrido um acidente, não avisaram à minha mãe de seu falecimento, mas eu já sabia que ele não estava mais aqui e na minha inocência de criança rezei pedindo que ele ressuscitasse.
Outro fato estranho, foi quando meus pais me perguntaram se eu queria ir para Porto Alegre ou ficar no interior e eu respondi que preferia ficar, pois não queria ver meu irmão morto num caixão. Eu nem sabia que ele já estava morto quando disse isso.

A noite deste Ano Novo foi marcada por muita dor. Quando eu resolvi dormir na sala da casa de uma tia, tinha a impressão que estavam me velando. Foi nesta noite que tive um sonho muito diferente com meu irmão. Sonhei que ele estava em um hospital e que se levantava e tirava as ataduras de sua cabeça e de repente sentava na cama de uma outra pessoa que estava com ele na hora do acidente, mas ainda estava em coma e de repente uma luz os levou. No dia seguinte, logo após acordar, perguntei para minha tia:

- E o mano?
- O mano faleceu. - respondeu ela.

Sei que poucos dias depois da morte do meu irmão, a outra pessoa que estava em coma também veio a óbito.

Depois de tudo isso eu nunca mais fui a mesma. É claro que criança tem uma facilidade muito maior para lidar com a dor. Eu fiquei triste, muito triste, mas continuava a brincar e a tentar me distrair. Tenho certeza que hoje eu não teria tamanha capacidade de superação.

Atualmente eu lembro muito do meu irmão. Queria muito que ele estivesse aqui, é claro. Fico imaginando qual seriam suas reações ao me ver como adulta. Nós éramos muito próximos, talvez como eu e a minha sobrinha mais nova somos hoje, se é que isso se explica. Às vezes assim como eu inconscientemente repito como a minha sobrinha mais nova, ele me pegava pra dar uma caminhada e ao passarmos por um bar, eu lhe pedia:

- Vamos tomar um guaranazinho?

Ele não está mais aqui, mas a memória dele continua viva. Ele viverá para sempre nas minha lembranças.

Um comentário: