sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Flor do Deserto

Ontem assisti um filme que me chamou muito a atenção. "Flor do Deserto" conta a história de uma modelo somali chamada Waris Dirie que aos três anos de idade sofreu mutilação genital feminina.  Aos doze anos de idade, Waris Dirie foge da aldeia em que vivia com a família, um dia após saber que seria obrigada por seu pai a se casar com um homem de 60 anos, do qual seria a quarta esposa. A menina então, atravessou sozinha um desertos inteiro, sofrendo com fome e sede e ficando com vários ferimentos nos pés, dos quais até hoje têm as cicatrizes. Sobreviveu e chegou até a capital de seu país, onde encontrou a sua avó que após algum tempo arranjou que sua neta fosse levada a Londres para trabalhar como faxineira na Embaixada da Somália.

Passou a adolescência apenas trabalhando na Embaixada, sem sair da casa onde esta se localizava, por isso mal aprendera a falar o idioma inglês. Após o término de uma Guerra na Somália todos da Embaixada foram chamados a retornar ao país. Waris Dirie foge pelas ruas de Londres e com ajuda de uma mulher, que tornou-se sua amiga, conseguiu emprego como faxineira em uma lanchonete. Enquanto trabalhava lá, foi observada por um famoso fotógrafo que a inseriu nas passarelas do mundo fashion.

Hoje mundialmente conhecida, Dirie luta contra a prática da mutilação genital feminina, além de ter se tornado embaixadora da ONU.

Vale a pena assistir, pois não se trata de um filme pesado, apesar dos assuntos que ele aborda. Este filme é um exemplo de resiliência, que é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um Dia para Lembrar

Nunca esquecerei os meus últimos dias letivos do ano passado. O clima foi pesado! Eu estava me sentindo sobrecarregada com tantas tarefas escolares, afinal de contas, eu comecei a trabalhar 60 horas.

Não foi muito fácil me adaptar a uma nova rotina, pois de repente fui chamada em um novo concurso e resolvi assumir e preenchi minha carga horária com 60 horas semanais.

Ser professora nunca foi fácil, é extremamente desafiador. O ano passado, em especial foi bem desafiador. Houve momentos em que eu cheguei a cogitar jogar tudo para o alto, tamanho estresse, mas o meu bom senso nunca me permitiu e nem me permitiria agir de tal maneira.

Tenho dificuldades para me adaptar a novos ambientes, principalmente no que tange a trabalho. E no ano passado eu iniciei  a trabalhar em uma nova escola e com novos colegas. Na verdade eu tinha duas realidades, uma escola onde todos já me conheciam e outra onde recém estava começando.

Confesso que enfrentei muitos problemas tanto com os alunos quanto com os professores, tudo pelo problema de adaptação. Eu até que sou bem descolada quando chego nos lugares, mas desta vez foi diferente, sinto que demorei um pouco para ser aceita.

Havia dias que achava que não iria suportar tamanha provação, mas o tempo foi passando, o final do ano letivo chegou e eu me propus a neste ano fazer tudo diferente. Seria mais tolerante, faria "ouvidos de mercador", tentaria não me estressar e apenas tentar fazer o meu trabalho da melhor maneira que eu pudesse, já que na meu ver, naturalmente já sou bem dedicada aquilo que faço.

O resultado de tal mudança me proporcionou um dos meus melhores momentos na minha carreira como professora, fui escolhida a paraninfa das turmas que em sua grande maioria haviam sido meus alunos no ano em que eu entrei. Para mim isto foi mais que uma homenagem, e sim uma prova de superação.

Posso dizer que neste ano, diferentemente do outro, fechei com chave de ouro!

Os Fios da Fortuna


Lembro exatamente da primeira vez que li  "Os Fios da Fortuna", foi-me emprestado e dito que eu apenas lesse pois iria gostar. Foi o que exatamente aconteceu, pois me identifiquei de alguma maneira com aquela história.

Este foi um dos melhores livros que já li, e este ano casualmente o encontrei numa oferta na Feira do Livro de Porto Alegre. Resolvi comprá-lo juntamente com outros livros, para não correr o risco de ficar sem nenhuma leitura, pois na minha opinião os livros são essenciais.

Estou lendo-o novamente e no entanto parece que esta é a primeira vez que estou lendo, tamanha a riqueza de detalhes, que eu já havia esquecido.
"Os fios da fortuna" é um livro excelente e extremamente bem escrito. Não deixa de ser um romance histórico e vem com uma trama de superação.

Eis aqui uma pequena amostra deste livro maravilhoso, que eu recomendo:
" A passagem de um cometa amaldiçoado pelos céus de uma aldeia vira de cabeça para baixo a vida de uma jovem artesã. Após perder o pai e , consequentemente, a fonte de renda da família, a jovem e sua mãe Maheen se vêem obrigadas a recorrer a Gostaham, um tio distante que vive na cidade de Isfahan.

As duas viajam pelo deserto, em lombos de camelo, e chegam à capital.

No Irã do século XVII, sob o império do xá Abbas o Grande, Isfahan é uma cidade cosmopolita, que recebe aventureiros vindos do Ocidente em busca das maravilhas do mundo persa.

Encantada com a cidade, boquiaberta diante da praça Imagem do Mundo e da mesquita Sexta-Feira, com sua cúpula azul-turquesa, a jovem não é capaz de imaginar as provações que a esperaram. Ao lado da mãe, ela é obrigada a enfrentar a perversidade da tia Gordiyeh, mulher de Gostaham. E a dureza do trabalho de todo dia: Limpar a casa, fazer comida, lavar a roupa, cuidar do jardim.Aos poucos, mãe e filha vêem-se transformadas em escravas da família, tão exploradas quanto a dúzia de empregados que cuidam da mansão.

Apesar do cansaço físico, a moça encontra energia para aprender a arte da tapeçaria com o tio. Dono de uma fábrica de tapetes, Gostaham ensina com carinho e paciência os segredos da escolha de fios, cores e desenhos, e a menina aos poucos desenvolve seu talento. Mas o destino atravessa de novo seu caminho e o sigheh - o casamento clandestino-, que parecia a usa chance de ter uma vida feliz, acaba provocando a sua expulsão da casa de Gostaham.

Enfrentar a pobreza das ruas de Isfahan, encontrar um lugar naquele mundo para si e para sua mãe é o desafio da jovem artesã. Os fios da fortuna é a história de uma jovem mulher sem nome que, como quer a autora, constitui uma bela homenagem a todos os anônimos artesãos da tapeçaria persa."

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Crônicas da Vida Real e Divagações do Imaginário: Na medida certa

Crônicas da Vida Real e Divagações do Imaginário: Na medida certa

Na medida certa

Recentemente eu estreei um "reality show". A maioria de vocês não viram, mas quem me conhece bem, já viu várias edições e inúmeras temporadas. Não passou na televisão e não fiquei famosa também. Era apenas mais um episódio da vida pessoal. A minha eterna luta para ter um corpo na medida certa.

Eu sempre fui magra, já tive meus dias mais cheinha, mas nunca enfrentei problemas de obesidade. Eu sempre tive pavor de engordar, amo comer e como bem, mas sempre temi o sobrepeso. A minha preocupação excessiva com minha imagem corporal já me trouxe alguns transtornos bem sérios que com muito sacrifício eu imagino ter superado. Já sofri de anorexia, meu menor peso foi 39 kg, bem na época que eu fiz vestibular. E também me tornei bulímica, ingerindo comida até quase não suportar e depois me livrando dela com laxantes e vômito induzido. Este último mal, eu demorei um pouco mais de tempo para me recuperar, pois até o ano de 2007, eu tomei laxantes, só parei após ter um problema de saúde, que me deixou tão fraca que eu não conseguia nem mesmo assistir um filme no cinema sem ter que tomar um Imosec, para não evacuar.

Até os 30 anos eu consegui manter um peso corporal até 49 kg, para 1.63 de altura, mas após esta idade eu ganhei alguns quilinhos, pois é natural com idade as pessoas ganharem um pouquinho mais de peso.  E eu não sou muito fã de exercícios...

Este ano eu tive uma rotina corrida, uma longa e exaustiva jornada de trabalho e quando chegava em casa depois de um cansativo dia de trabalho, nada parecia mais reconfortante que uma fatia de torta da minha padaria preferida. E os meus programas todos se resumiam a almoços e restaurantes, petiscos... Não deu outra, eu engordei!

É claro que eu percebi que as minhas calças favoritas estavam justíssimas, mas não tinha força de vontade de mudar meus hábitos e continuava comendo. E sofria ao me ver no espelho. Parecia que eu carregava uma cauda, que nem a da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Eu chorei um dia, porque de brincadeira, minha sobrinha me chamou de "gordinha" e deu um apertão na minha barriga. Eu nunca me senti tão barriguda como naquele dia! Nem mesmo quando uma colega me disse que eu estava com o mesmo problema dela, barriga. Ela me falou que eu estava magra e com barriga, que fácil, fácil eu perdia... Eu deveria ter respondido que já que era tão fácil, porque ela ainda não tinha perdido a dela, mas não... isso apena me deu mais força para correr atrás do "preju". Outros comentários também me motivaram a começar uma dieta, como por exemplo um dia que uma outra colega achando que estava me elogiando, falou que eu estava com um bundão e a outra me comparou com a minha irmã caçula, que é seca, dizendo que eu era mais "encorpadona".

Pois lá foi foi a "encorpadona" tomar uma atitude. Eu estava com 60 kg e para mim, estava demais, não aguentava mais carregar minha "cauda". Pesquisei umas dietas na internet e achei uma que eu botei fé que funcionaria e ia seguí-la a risca. É a chamada "dieta japonesa". Extremamente restritiva, ela prometia secar 6 kg em uma semana. Tentei e comecei muito bem, já estava me sentindo melhor e mais animada com meu corpo, mas não predi os 6 kg prometido, pois no quarto dia, eu estava me sentindo muito fraca. Então resolvi fazer o seguinte: aliada a uma reeducação alimentar com compostos de beringela em cápsula em jejum, garcínia e outros compostos fitoterápicos, antes das refeições, eu perdi 6kg! Foi tão recompensador que estou bem disciplinada. Nos dias de semana eu me cuido bastante e nos fins de semana me permito, com muita cautela, fugir um pouquinho da dieta.

No começo eu me sentia como o Zeca Camargo, no na Medida Certa. Ele ficava bem irritado, assim como eu também fiquei em muitos momentos. Perdi o sono, sonhava com com comida, achava que não ia aguentar. Mas valeu o meu esforço.

No começo resolvi fazer uma tabelinha anotando os dias e quanto eu pesava naqueles dias. A minha pretenção não era tão grande como um dia foi. Se eu chegasse aos 55 kg, já me daria por muito satisfeita.

Foi mais ou menos assim:

03/11 - 58,65 kg
12/11 - 56,70 kg
23/11 - 56,40 kg
26/11 - 56,20 kg
30/11 - 54,80 kg
08/12 - 54, 35 kg

E estou muito feliz, com meus jeans preferidos mais folgados e meus vestidos servindo como uma luva. Nem me pesa mais a "cauda", pois me sinto mais leve! Mas minha luta continua, tudo para me manter magra, para continuar sempre na medida certa.

Píramo e Tisbe

O conto de Píramo e Tisbe pode ser considerado como a influência que Shakespeare teve para elaborar sua mais famosa obra: Romeu e Julieta. A história se passa entre dois jovens belos e muito apaixonados, Píramo e Tisbe, que queriam muito casar, porém seus pais não permitiam. Sempre que posso, passo esta linda história da mitologia grega para meus alunos.

Esses jovens moravam em casas vizinhas, separadas por uma parede. Nessa parede havia uma fresta onde os apaixonados trocavam palavras de amor. Em certo dia, se encontraram a noite e decidiram que a única alternativa que tinham para ficar juntos era fugir de suas casas e então combinaram de se encontrar no túmulo de Nino, fora dos limites da cidade, ao pé de uma amoreira branca e próxima a uma fonte refrescante.

Tisbe chegou primeiro ao local e de repente uma leoa chegou bem próximo com a boca ensanguentada querendo se molhar na fonte. Tisbe correu e escondeu em uma gruta, deixando seu véu cair sobre a terra. A leoa viu o véu e o rasgou com os dentes ensanguentados.

Quando Píramo chegou e não achou Tisbe, viu as pegadas do felino e o véu de sua amada todo rasgado e ensanguentado, se desesperou e decidiu morrer por causa da amada, desembainhou sua espada e feriu o próprio coração.

Quando Tisbe retornou ao local se deparou com o amado morto, entendeu a situação e decidiu também morrer junto com ele. Segundo a mitologia, foi por causa do sangue dos apaixonados que foi derramado aos pés da amoreira que os deuses se comoveram e decidiram dar a cor vermelha às amoras.