terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sou vadia mesmo

Gente, não se assustem! Eu como professora pública municipal de adolescentes e jovens e adultos, jamais pronunciaria tais palavras assim na internet. Que fique bem claro, o título da minha postagem de hoje faz parte de uma fala que escutei em minhas andanças como educadora de jovens e adultos e acreditem, mesmo com o mundo de hoje em dia, me espantou.

Estava eu em sala de aula completando meu caderno de chamada enquanto meus alunos do grupo dos que estudam à noite realizavam tranquilamente uma tarefa de pesquisa que lhes cobrava extrema concentração.
Me chamou a atenção duas jovens alunas, que desde o momento que puseram o pé na sala de aula não pararam de conversar. Era quase impossível não escutar suas conversas, mesmo com a tentativa de falar mais baixo, já que a turma inteira estava compenetrada em silêncio realizando a atividade.

O teor do assunto começou com os bailes funks que elas frequentavam e pretendiam participar. Nada mal para duas jovens garotas de 18 anos, se uma não estivesse grávida de quase 7 meses. Nas festas, ela dizia não se incomodar com a gravidez ou o tamanho da sua barriga. Ela dizia que ficava com os meninos e que se perguntassem se estava grávida, dizia, se não, deixava que eles pensassem que ela estava "gordinha" mesmo.

A outra menina, que parecia um anjo de candura, foi a autora do título da postagem de hoje, pessoal. Acho que fiquei chocada, porque jamais imaginei que esta mocinha, que me parecia tão recatada, fosse capaz de dizer "Sou vadia mesmo!", além das outras coisas que eu ouvi ela dizer. Ela não teve pudor de dar a entender a outra que às vezes ela "cobrava 50 reais, já que ia fazer mesmo, pra que fazer de graça". E ainda incentiva a outra a seguir seu exemplo, mas a outra dizia que não tinha coragem de "fazer estas coisas". E aí foi que a menina replicou, sem nenhum pudor de estar em sala de aula, com a professora, com meninos, com senhoras e outas meninas de sua idade mesmo: Sou vadia mesmo!

Aí nem eu, nem alguns alunos ficamos calados. Quase como um coro, fizemos um "SHHHHHHHHHHH",
mas as meninas ainda assim continuaram a conversa, até fui obrigada a me meter e pedir que cessassem aquele assunto extremamente constrangedor, que já estava demais, não era o lugar e nem o momento para elas terem aquele tipo de conversa.

Sabe, eu até pensei em dar um sermão, conversar com as gurias sobre ter mais respeito com elas próprias principalmente para os outros a respeitarem, mas sinceramente, pensei com meus botões, vai adiantar?
Por mais que eu tente e eu já me dei muito mal por isso, eu não vou mudar o mundo... Eu posso até tentar, será válida a tentativa, mas é o máximo que eu poderei fazer. Educação vem de berço, exemplos se tem em casa e com esta idade fica difícil querer moldar uma personalidade que já esta praticamente formada.

Sinto uma mistura de frustração com tristeza por ver a realidade destas meninas. O que elas esperam da vida? O que querem? Não estou querendo bancar a moralista, nem puritana, mas propor uma reflexão do porquê  de tal comportamento destas jovens. Por enquanto, me sinto como que de mãos amarradas, sem saber o que fazer.

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